A morte
dos versos ao longo da história
Silêncio interrompido
Ouço um suspiro.
Carlos de Campos


Enquanto o esquecimento me rondar, eu estarei aqui
Estou cada dia mais esquecido de quem eu sou
Eu sou um beija-flor beijando os seus doces lábios
O que não sou é alguém que se recorda da própria vida
É a vida passando pelas minhas retinas
Preparo o meu chá cotidiano
Só não estou preparado para morrer.
Carlos de Campos

Um olhar atento para dentro
Morte como obediência de uma vida,
Vejo escapando de minhas mãos
Na neblina que turva a minha vista,
No oceano em que estou mergulhado.
Os meus olhos cegos seguem pelo caminho,
Tateando os ares,
Perdendo-se em si mesmos
E encontrando-se no outro.
Nossa bela morte
Nos beija constantemente na face,
No amargo do meu suor,
Compreendendo todos os meus medos.
Medo de uma vida
Distante do desejado,
Doses de fracasso
Capazes de mudar toda a minha sorte.
O sonho me distrai,
Me faz avançar,
Me limita,
Me instiga a sempre ir para frente.
Me orienta em meu interior
A permanecer sempre atento,
Usufruindo do mel da sabedoria eterna
Que pulsa no limiar da vida e da morte.
Carlos de Campos

Existe vida após a morte?
Não existe paz onde se cultiva o medo.
Não existe paz onde só há rancor.
Não existe paz diante da indiferença.
Tudo se esvai de nossas mãos.
O que anda cultivando em sua alma?
Diga em voz alta, para que você possa ouvir.
Diga para que a tua consciência tome consciência.
Diga para que penses sobre o que andas fazendo.
Dúvidas sobre o que acontece após a morte?
Você toma consciência de como mal viveu.
Você toma consciência de tanta mesquinharia.
Você só quer ter mais uma chance.
Você quer mais uma chance,
só que não existe mais chance.
Você argumenta que não sabia.
Querer saber demais: esse é exatamente o problema.
Mais do que saber, é fundamental viver.
É preferível ser ignorante diante da morte,
para que a vida tenha espaço.
Se luta por justiça, é para que a vida tenha espaço.
Não existe morte onde a vida imperou,
onde o amor amou,
onde o foco foi viver.
A morte nunca foi o fim.
Carlos de Campos
