Se estamos tão distantes da fonte, fonte da ancestralidade que jorra pelos tempos sem fim, que passa por nós e por nossa história.
O pai de nossa ancestralidade é um pai que cuida, o educador da casa, casa fundamentada sob sua guarda.
Pai que alimenta, que protege sua família e dá amor à sua prole, pai que bebe da fonte ancestral.
O grande pai que habita em todos os homens encontra-se soterrado pelo patriarcado. Abandonada ficou a riquíssima fonte da sabedoria ancestral, cedendo espaço ao patriarcado cristão.
O grande pai está amordaçado em cada homem, submetido às regras expiatórias que o levaram para longe da fonte da vida, para bem longe de suas próprias raízes.
Vão as nossas esperanças Em uma tarde qualquer de domingo Vão os nossos sonhos De um sonho qualquer que tivemos.
Vão as esperanças De um país que sonhava Sonhava, um dia, em ser grande Em uma tarde qualquer, tudo se desfez.
O sonho de ser uma nação unida O sonho de ser uma nação acolhedora Quando acordamos desse sonho? Quando a realidade bateu duro em nossa cara?
Tudo começou muito antes daquele domingo A realidade sempre esteve diante dos nossos olhos Nós que fingimos não enxergá-la Nós que preferimos nos manter acomodados.
Um sonho é sempre bem-vindo Quando nos ajuda a seguir em frente Um sonho, quando ofusca a realidade, É um sonho muito perigoso de se sonhar.
Inimigos da realidade, todos nós fomos Continuaremos a sustentar esse delírio? Do que temos medo? Temos medo de olhar para a realidade e nos descobrirmos fracassados?
Caos no trabalho é difícil de administrar São horas sem saber a verdadeira razão Cada um administrando como pode, Mesmo sem o patrão saber.
Alguém viu o lucro que poderia ter e inventou o trabalho. No final do dia, dá trabalho viver com o trabalho que faço. É uma espécie de “chora menos quem manda”, É a valentia de quem nunca trabalhou.
Quem deveria acordar acha fofo o emprego que tem: Insalubridade, pagamento atrasado e pressão psicológica. Existe honra nisso? Ser a maior força que com mais facilidade se pode manobrar.
Movimento a exploração da mão de obra: Morreu trabalhando, morreu com honra. Seja você o agente transformador da boa vida do seu patrão, Só não se esqueça de que você é facilmente descartável.
Imagine ter todo o suor do seu trabalho sendo consumido dia e noite, ininterruptamente. Observe com que rapidez esses parasitas se multiplicam enquanto engordam às nossas custas.
Parasitas que sugam toda a nossa pobreza, a riqueza de nosso país e levam com eles toda a nossa esperança, deixando para trás o caos, a miséria e a morte instalados. Senhores donos do circo do horror.
Um mundo desigual, onde todos nós temos nossa parcela de culpa, onde todos nós gostamos de tirar uma casquinha dos nossos colaboradores. Nós somos seres da incoerência e da hipocrisia.
Não consigo ver uma solução quando tudo depende da contribuição de todos, quando o todo não foi capaz de amadurecer emocionalmente.