Muitas são as decepções com o amor, Uma palavra bonita carregada de energia, De uma beleza de sentido Que é facilmente soterrada pelo nosso egoísmo.
Quem és tu, pobre amor? Além de ser um ladrão? Uma droga altamente viciante? Um serial killer?
Não sei quem é você, meu nobre amor. Não consigo confiar em seus encantos. Você já me produziu vários desencantos. Como você pode existir Quando depende da relação entre duas pessoas?
Estou bem em ficar longe de suas ilusões, De suas carícias estéreis. Não, não acredito no amor. Ou devo me entregar às suas doces ilusões?
No desejo escondido revela-se a tua essência. É no amor que me recolho. Na incerteza dos dias, me rebelo. Restaram-me o teu olhar frio e vazio, inocente de malícia. Estou em busca — em busca dos sonhos não resolvidos, dos dilemas que foram enaltecidos. É hora do amor, das ilusões de cada momento. Quem sou eu nesse mundo de tristeza e desencanto coletivo?
Longe do amor, dedico-me a estar perto de você. Nesse momento sombrio, fico sem entender mais nada. Longe de você, só me resta a solidão — vazio cheio de presença, ausência de mim e de você, dos desvios existenciais e dos desejos carnais. Carne fresca de frescura exuberante, de um declínio extravagante de nossa liberdade, pautada pelos nossos erros, que vão deixando rastros pela história.
O instinto primitivo nos rege, fazendo-nos reagir de maneira um tanto grosseira. Os instintos primitivos me fazem sucumbir em devaneios sinceros, em alucinações rabiscadas pelo ópio da contradição de uma tradição que me contraria a todo tempo, sufocando-me. Quase sempre estou cansado de ser quem sou.