Estou muito deprimido. Um mar de ilusão me afoga. O que faço nessa situação? Além de olhar fixamente para a parede?
Insisto no mar envolto, Destituir a minha tristeza. Sou mais forte. Só preciso começar a lutar. Eu sei que não será fácil. Eu sei que em um campo de batalha não existem regras.
Sei que na guerra o único instinto é sobreviver. Sou sobrevivente de tantas guerras. O sangue que já regou o front dessa trincheira. Sou a vida, sou a morte. Sou as derrotas, sou as vitórias. Sou só mais uma pessoa querendo viver.
O meu olhar se volta para o meu filho. O meu ser se enche de esperança, Da mais doce e profunda esperança, É com amor que se vence o ódio.
Morte! É o grito que meu espírito solta. É o medo que nos leva para a beira da morte, Que nos tortura de toda sorte.
Não existe medo que me faça sentir tanto medo. É o medo que, do nada, me encoxou por trás. É o medo que sussurra ao meu ouvido. É o medo que me põe medo todos os dias.
Suave é como me encontro, Tanta tormenta passou, Que do meu corpo nada roubou, No cansaço dessa luta.
Toda escolha exigirá de nós renúncia, e toda renúncia vem carregada de sofrimento. Sofrimento. Palavra forte, carregada de sentimento.
Só pode sentir que está sofrendo quem tem sentimento, quem um dia se colocou no lugar do outro, quem rasgou o próprio peito para alimentar o outro com compaixão, quem, a exemplo do Rio Tietê, soube ser.
Só quem sente na própria carne este mistério de amor sabe que o sofrimento vem carregado de sentimento. Quem de nós foi educado para acolher o sofrimento? Fugimos desse momento como se isso fosse possível.
O sofrimento é, de fato, algo difícil de aceitar, e se torna ainda mais difícil quando decidimos fugir. O Rio Tietê nos ensina que todo sofrimento passa e que nossa doação se multiplica.
Em seu nascimento, o Rio Tietê teve um destino imposto: seguir o instinto natural e ser apenas um breve caminho rumo ao mar, ou rebelar-se contra todo o sistema natural e tornar-se um dos raros rios do mundo a “correr de costas”.
O Rio Tietê sabia que teria que arcar com todo o sofrimento. E, com resiliência, o rio rasgou o próprio peito e foi se adaptando à sua nova morada, reunindo em torno de si famílias que, até hoje, se alimentam das águas que brotam de sua nascente de amor.