Tag: Resiliência

  • Reúno as minhas forças para o embate final

    Reúno as minhas forças para o embate final

    Estou muito deprimido.
    Um mar de ilusão me afoga.
    O que faço nessa situação?
    Além de olhar fixamente para a parede?


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    Reúno as minhas forças para o embate final

    Estou muito deprimido.
    Um mar de ilusão me afoga.
    O que faço nessa situação?
    Além de olhar fixamente para a parede?

    Insisto no mar envolto,
    Destituir a minha tristeza.
    Sou mais forte.
    Só preciso começar a lutar.
    Eu sei que não será fácil.
    Eu sei que em um campo de batalha não existem regras.

    Sei que na guerra o único instinto é sobreviver.
    Sou sobrevivente de tantas guerras.
    O sangue que já regou o front dessa trincheira.
    Sou a vida, sou a morte.
    Sou as derrotas, sou as vitórias.
    Sou só mais uma pessoa querendo viver.

    O meu olhar se volta para o meu filho.
    O meu ser se enche de esperança,
    Da mais doce e profunda esperança,
    É com amor que se vence o ódio.

    Carlos de Campos
  • O medo que vai e vem

    O medo que vai e vem

    Que medo é esse que vai e vem?
    Que me projeta para baixo,
    Me espreme de todos os lados,
    Com rigor tático de crueldade.

    Esse medo que me sufoca,
    Me afoga,
    Me tortura,
    Abusa do meu corpo sem nenhuma vergonha.

    Morte!
    É o grito que meu espírito solta.
    É o medo que nos leva para a beira da morte,
    Que nos tortura de toda sorte.

    Não existe medo que me faça sentir tanto medo.
    É o medo que, do nada, me encoxou por trás.
    É o medo que sussurra ao meu ouvido.
    É o medo que me põe medo todos os dias.

    Suave é como me encontro,
    Tanta tormenta passou,
    Que do meu corpo nada roubou,
    No cansaço dessa luta.

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    Todo esse medo me motivou,
    Me inspirou.
    Não existe derrota para quem lutou.
    Na vida, cada luta, vencida ou perdida, é vida renovada.

    Carlos de Campos
  • Caminho Selado

    Caminho Selado

    Novos dias chegaram,
    frutos brotam em abundância:
    não nos querem prosperando.

    Carlos de Campos

  • Livro 14: Rio Tietê (Poema 01/60) Não existe escolha fácil nesta vida

    ivro 14: Rio Tietê (Poema 01/60)

    Não existe escolha fácil nesta vida

    Toda escolha exigirá de nós renúncia,
    e toda renúncia vem carregada de sofrimento.
    Sofrimento.
    Palavra forte, carregada de sentimento.

    Só pode sentir que está sofrendo quem tem sentimento,
    quem um dia se colocou no lugar do outro,
    quem rasgou o próprio peito para alimentar o outro com compaixão,
    quem, a exemplo do Rio Tietê, soube ser.

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    Só quem sente na própria carne este mistério de amor
    sabe que o sofrimento vem carregado de sentimento.
    Quem de nós foi educado para acolher o sofrimento?
    Fugimos desse momento
    como se isso fosse possível.

    O sofrimento é, de fato, algo difícil de aceitar,
    e se torna ainda mais difícil quando decidimos fugir.
    O Rio Tietê nos ensina
    que todo sofrimento passa
    e que nossa doação se multiplica.

    Em seu nascimento, o Rio Tietê teve um destino imposto:
    seguir o instinto natural
    e ser apenas um breve caminho rumo ao mar,
    ou rebelar-se contra todo o sistema natural
    e tornar-se um dos raros rios do mundo
    a “correr de costas”.

    O Rio Tietê sabia que teria que arcar com todo o sofrimento.
    E, com resiliência, o rio rasgou o próprio peito
    e foi se adaptando à sua nova morada,
    reunindo em torno de si famílias
    que, até hoje, se alimentam
    das águas que brotam de sua nascente de amor.

    Carlos de Campos

  • Nós estamos muito cansados


    Nós estamos muito cansados

    O empecilho na estrada
    Nos impede de ver,
    De sentir,
    De existir aqui.

    Tenho o que não preciso,
    A distância me irrita,
    O fôlego diminui,
    Sinto-me exausto.

    Reúno a coragem,
    Coragem para persistir,
    Insistir em continuar respirando.

    Respiro a pureza do existir,
    Da vida que nos faz teimar
    E que nos leva a prosseguir.

    Carlos de Campos
  • Janela

    Janela

    Não dê ouvido à ganância
    Impropriedade da alma
    Movimento falso
    Medo consumado.

    Labirinto de mentiras
    Ilusão desconfortável
    Medo consumado
    Estou atormentado.

    Iminente é a força destruidora
    De uma mente desorientada
    Geme e chora a minha alma
    Por não saber de onde vem tanta dor.

    Em vão reflito
    E distante permaneço do conflito
    Finalmente chego, mas ainda não compreendo
    O desejo é mais forte que a sanidade.

    Os dias são exageradamente idênticos
    Corroídos por ideias banais
    Camuflados de moralidade
    Enquanto a vingança é a alma do negócio.

    Vejo a beleza que há no equilíbrio
    O canto dos pássaros pela manhã
    O rosto de um amanhecer inesquecível
    É a saudade batendo à nossa porta.

    Carlos de Campos

    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Caminho para vencer a tristeza

    Caminho para vencer a tristeza

    Logo que você passou,
    Experimentei uma enorme frustração,
    E, até então, nada mudou.

    Nada adianta querer,
    Se a cabeça continuar na mesma,
    O caminho pede a nossa participação.

    Faz tempo,
    É tempo demais,
    Em que vivo nessa triste agonia.

    Deixe sair o que incomoda,
    Lave com água e sabão,
    Esterilize o local com boas ações.

    Há camadas que podem voltar,
    Permita que elas voltem,
    Para, então, serem curadas.

    Daqui para frente, tudo será transparente,
    O mesmo caminho visto de maneira diferente,
    Cicatrizes que nos animam pelo caminho.

    Carlos de Campos