Tag: resistência

  • Onde há ódio existe a destruição

    Onde há ódio existe a destruição

    Não existe prazer em meio à dor,
    Mesmo que seja acompanhada de intervalos de bem-estar.
    O corpo e a mente ficam desconectados,
    E não sabemos para onde ir.

    O sol aquece o corpo ferido de morte.
    Tudo nesta vida é dor e sofrimento,
    É conflito e mais conflitos,
    É uma constante guerra sem fim.

    Um instante, um único vacilo, e tudo se vai,
    Sem aviso ou uma última refeição.
    Tudo simplesmente evapora,
    A vida, à qual somos tão apegados, vira pó.

    Desvio o olhar por um instante.
    Em meio à ilusão destruidora, posso ver a beleza.
    Oh, como a senhora Beleza é plena!
    Habita no olhar inocente de uma criança.

    Quem vive consumindo ódio é digno de ver tua beleza?
    É possível que um coração iludido se recupere?
    E como posso vencer o mal?
    Quem é que, vendo a beleza, não quer desposá-la?

    O meu corpo ainda segue doente de tanto ódio.
    A mente busca por salvação.
    Percorro, com determinação, o caminho para expurgar o ódio das entranhas da vida,
    Para que um dia, contigo, eu possa estar.

    Carlos de Campos

    Foto por Joel Alencar em Pexels.com
  • Não canto mais por justiça tributária

    Não canto mais por justiça tributária


    Lá pelas bandas que me exploram,
    Sei que o que menos importa
    É que eu tenha meu bem-estar respeitado.
    Nada é tão repugnante de saber.


    Lá pelas bandas que me exploram,
    Eu vejo até o que Deus duvida.
    Eu vejo a miséria sendo lucrativa,
    Eu vejo a riqueza superfaturada.


    Nem a pior legião demoníaca é tão desonesta
    Quanto a crueldade exercida pelo capitalismo.
    Tudo o que toca vira pó,
    É espantoso saber que tem muita gente que concorda.


    Um império pessoal ou de um país, para sobreviver,
    Precisa impor suas condições, sejam quais forem.
    Doa a quem doer,
    O objetivo é sempre o lucro a qualquer custo.


    Lucro exorbitante para poucos,
    Miséria absoluta para muitos.
    O terror inflacionário é implacável,
    Consumindo vidas pelos juros.


    Lugar onde nada prospera,
    Enormes são as filas da inadimplência,
    Onde a maioria não consegue se desenvolver.
    Lugar onde se lucra com a pobreza.


    Movimento de desconstrução do capitalismo,
    Que escancara os altos juros.
    Movimento de desconstrução do capitalismo,
    Que denuncia que o pobre ainda tem trabalho forçado.


    Multidões passam fome,
    No cotidiano a pobreza é extrema.
    O trabalho é análogo à escravidão,
    As pessoas ainda vivem produzindo riquezas para terceiros.


    O silêncio dos oprimidos clama por justiça social.
    A “liberdade democrática” precariza.
    A taxação comercial é a nova pandemia,
    Mas quase ninguém se importa.


    Meu desolado canto é solitário.
    É inútil o canto que eu canto.
    Canto o canto dos injustiçados,
    Canto o lamento de minha alma empobrecida.


    Meu lamento vem de um coração miserável,
    De um corpo maltratado pela fome e pelo frio,
    E que, quando doente, encontra um sistema perdido.
    Meu canto canta por uma boa morte.

    Carlos de Campos
    Foto por Kindel Media em Pexels.com