Tag: saúde mental

  • O medo que vai e vem

    O medo que vai e vem

    Que medo é esse que vai e vem?
    Que me projeta para baixo,
    Me espreme de todos os lados,
    Com rigor tático de crueldade.

    Esse medo que me sufoca,
    Me afoga,
    Me tortura,
    Abusa do meu corpo sem nenhuma vergonha.

    Morte!
    É o grito que meu espírito solta.
    É o medo que nos leva para a beira da morte,
    Que nos tortura de toda sorte.

    Não existe medo que me faça sentir tanto medo.
    É o medo que, do nada, me encoxou por trás.
    É o medo que sussurra ao meu ouvido.
    É o medo que me põe medo todos os dias.

    Suave é como me encontro,
    Tanta tormenta passou,
    Que do meu corpo nada roubou,
    No cansaço dessa luta.

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    Todo esse medo me motivou,
    Me inspirou.
    Não existe derrota para quem lutou.
    Na vida, cada luta, vencida ou perdida, é vida renovada.

    Carlos de Campos
  • Já é tarde

    Já é tarde

    Estou cansado e preciso dormir. Estou quase morto; a vida quase não resiste mais. É a vida que passa por entre as mãos. Os olhos cansados estão quase se fechando.

    Corpo e mente estão desfalecendo, sucumbem pela força da natureza; estão sem forças para reagir, entregues, não se opõem, apenas confiam na sabedoria da natureza que simplesmente os carrega.

    Esta é a nossa oportunidade para nos desapegarmos de nossas ilusões, dessas ilusões que tramam contra nós. Como não se opor a essas ilusões?

    Tudo é mergulho profundo, é luta e entrega, é opressão que nos sufoca e que também nos faz ver sentido para resistir, para persistir, enquanto seguimos, seguir para um dia vencer.

    De dentro de minhas próprias entranhas, eu me encontro; é como se eu tivesse retornado ao útero materno, estou sendo gestado. É a vida sendo concebida novamente.

    Da morte à vida, libertação tardia; libertação tardia também é libertação plena. Não importa quando a libertação chegará, o que importa realmente é que, quando chegar, é preciso estar preparado.

    Carlos de Campos
  • Viver para vencer o medo da morte



    Viver para vencer o medo da morte

    Morte: pesadelo de cada ser humano.
    Tamanha é a nossa contradição.
    Ao mesmo tempo que temos medo da morte,
    sofremos ao invés de ver a vida.

    Tudo é mal-aproveitado:
    Saúde…
    Tempo…
    e relacionamentos.

    Na vida queremos a morte.
    No leito de morte, clamamos pela vida.
    Vida que esperamos passar,
    passou e não deixou saudades.

    Lamentação é o que ouço pelo mundo afora:
    lamentos de que a vida não presta,
    de que tudo está errado.
    Esquece-se de que tudo depende de você.

    É vida sendo desperdiçada,
    jaula da hipocrisia,
    dos desertores da esperança.
    Nada há de cair do céu.

    Viva a sua vida.
    Viva as relações comunitárias.
    Separe os seus dramas particulares da vida social.
    Procure ajuda e viva plenamente o momento presente.

    Carlos de Campos

    Foto por Alex Sever em Pexels.com
  • Deterioração da mente compassiva



    Deterioração da mente compassiva

    No difícil convívio comigo,
    consigo ser surpreendido.
    Nada é claro,
    nem tudo é simples.

    Todos os dias,
    a gente pira um pouco mais,
    e nem percebemos.
    Mesmo assim, continuamos.

    Ódio e ilusão,
    descontentamento refletido,
    e eu estou perdido em mim
    e em minhas contradições.

    O que pensar, não sei.
    Sei que a realidade é triste,
    repugnante,
    massacrante.

    Intimidado pelo meu próprio mundo interno,
    que me interpela constantemente
    para que eu permaneça estagnado
    nesse conflito com a mente.

    É ilusão acreditar que exista solução,
    quando os agentes da transformação
    foram cooptados por emoções não resolvidas.
    Estamos vivendo na inércia.

    Carlos de Campos
    Foto por Wavy_ revolution em Pexels.com
  • O momento nos pede união e amor



    O momento nos pede união e amor

    Em momentos difíceis como este,
    estar próximo de quem amamos é o ideal
    e se faz necessário para a nossa saúde mental.
    Ninguém vence a guerra sozinho.

    Estar junto é indispensável.
    Sentir-se parte da comunidade
    é importante para o desenvolvimento humano:
    poder olhar para o lado e se sentir seguro, apesar das lutas.

    Em momentos difíceis,
    estar no aconchego do amor
    faz toda a diferença.
    O amor é bálsamo.

    É a cura do coração machucado,
    da vida cansada.
    É o descanso seguro,
    é o amor curando no acolhimento.

    Homem e mulher, busquem se apoiar,
    decidam-se pelo amor,
    inspirem-se mutuamente.
    Deixem o contágio da mentira longe do relacionamento.

    Nos momentos de dificuldade,
    pede-se lucidez das partes,
    coragem para percorrer o caminho
    que nos leva ao amor e à unidade.

    Carlos de Campos
    Foto por Marcelo Renda em Pexels.com
  • Que olhar você anda tendo da vida? (texto)

    Que olhar você anda tendo da vida?

    Inteiro é como devemos sempre estar.
    Isso não significa que sua vida estará às mil maravilhas; significa, essencialmente, que, estando bem ou mal, nossa atenção deve estar totalmente voltada ao que estamos fazendo.
    É na dedicação com que você faz algo que se revela o modo como você vive.

    Temos duas formas de viver:

    Primeiro, o viver inteiro — enraizado no existir, existindo.
    Tudo se torna chance de experimentar algo novo, mesmo tendo vivido uma vida inteira.
    É a oportunidade de se surpreender com o belo.
    Estar inteiro experimentando a vida é a nossa vocação.
    É onde nos é revelado o Mistério da Vida.

    O segundo modo de viver — e é onde a maioria de nós se encontra atualmente — é uma vida no automático.
    Uma vida em que deixamos passar tudo o que é simples, belo, extraordinário.
    Em que tudo o que fazemos é para ganhar dinheiro, para comprar a felicidade, para comprar coisas que nos enganam.
    Vivemos em uma constante morte do espírito.
    Tornamo-nos zumbis de um poder econômico.

    Qual vida você anda vivendo?
    Olhe para si, para sua saúde física, mental e emocional, e terá a sua resposta contundente.
    Ninguém aqui está dizendo que não temos o direito de ganhar dinheiro.
    O que estou dizendo é que você tem duas maneiras de se posicionar na vida para ganhar o seu dinheiro.

    Em tempos como os nossos, viver inteiro não é prioridade — e, muitas vezes, nem é culpa nossa.
    Fomos conduzidos a esse estado de vida.
    Filhos bastardos do capitalismo: é o que somos.

    O que podemos fazer, a partir de agora, é nos conscientizar.
    Pela nossa idade. Pela quantidade de remédios que estamos tomando.
    Não é normal.
    Não é que o seu corpo adoeceu — como pode acontecer.
    É você sendo empurrado a adoecer.
    E pior do que estar doente: é permanecer doente.

    Ao tomar consciência desse simples fato, podemos dar o próximo passo.
    Agora é preciso que você aceite a mudança.
    Uma pequena mudança.
    Mas uma mudança radical.

    Comece, a partir de agora, a viver buscando uma nova maneira de olhar a vida.
    Que a vida que você viva, a partir de agora, seja uma vida que te dê uma nova chance.
    Que te mostre que a vida tem muito mais a oferecer do que carros, dinheiro e viagens.
    Que a beleza desta vida está justamente na simplicidade de ser vivida.

    Olhar as coisas com atenção permite que você abra uma janela e, assim, reconheça que pode ser surpreendido por um universo infinito — e completamente desconhecido por você.

    Inteiro é como devemos nos posicionar na vida: acolhendo todas as maravilhas que ousarmos descobrir.
    Mas tenha cuidado: viver com essa mentalidade é para pessoas especiais.
    E eu não sei se você é tão especial assim.
    Em todo caso, só experimentando para descobrir quem você é de fato.

    Não deixe a vida passar e se esvaziar por entre suas mãos.
    É só você quem tem a solução.
    O poder está em suas mãos.
    O que vai fazer com isso… é com você.

    Não existe vida chata depois disso.
    E então, o que vai fazer?
    Tem mesmo coragem de subverter o sistema?
    O que deseja ser em sua vida?
    Inteiro ou raso? Fervura ou frio?
    O que deseja ser em sua vida — de verdade?

    As escolhas certas podem mudar uma vida.
    “Inteiro” é uma escolha que só você pode avaliar se será boa ou ruim para si.

    Nunca subestime o poder de um olhar.
    Uma nova maneira de viver a vida — viver de maneira inteira, como é a nossa vocação.
    Deixe a vida te surpreender.
    Dê essa chance para você.

    O novo olhar é a atitude mais revolucionária que você pode ter hoje.
    É a mudança extraordinária de um paradigma.
    É uma nova mentalidade sendo revitalizada.
    É a possibilidade de uma nova sociedade. Tudo isso é possível quando fazemos uma pequena mudança em nossa maneira de viver.
    Não é mais como o sistema quer. É como eu escolho viver.

    Carlos de Campos

    Foto por Nandhu Kumar em Pexels.com
  • Preciso me dar um tempo

    “Preciso me dar um tempo” é um poema honesto, impactante e sensivelmente atual. Ele traduz, com lucidez e dor, o retrato de um sujeito contemporâneo esgotado pelas exigências do mundo, que encontra no próprio colapso uma chance de lucidez: cuidar-se antes que seja tarde.



    Preciso me dar um tempo

    Leveza de um destino entrelaçado
    Em uma busca sem desfecho
    Ironia
    É só o que encontro.

    Os desafios são sem fim
    No auge, procurei desistir
    Sem saber que não estava no auge
    Só estava cansado.

    Ir sempre além
    Mesmo estando cansado
    É como gostaria de pensar
    Só que a realidade me diz que ando esgotado.

    Cansado…
    Estou aflito por sentimentos que não sinto
    Ir além…
    É ir de encontro com a morte.

    Preciso me afastar do mundo
    Das pessoas que sabem de tudo
    É vital focar nas coisas que se passam em minha mente
    E parar de ser intransigente comigo.

    Com urgência, preciso me cuidar
    Antes que seja tarde demais
    E eu venha a sucumbir
    Me desfazendo em partículas pelo asfalto.

    Carlos de Campos
    Foto por BULE em Pexels.com
  • No mundo em que vivemos, é possível ser feliz?

    No mundo em que vivemos, é possível ser feliz?

    Há opressão na maneira como as pessoas se impõem umas sobre as outras, e isso é o que mais impacta nossa saúde mental. Estar sempre pronto e disposto a ser feliz a todo instante é uma das expressões... Não sei se esse é o melhor caminho.

    O que buscamos é, de modo geral, impossível. Nem todas as pessoas têm essa mesma disposição. É um jeito de ser impositivo que mais oprime do que liberta a pessoa — até mesmo porque, segundo nossa concepção, a liberdade está justamente em ser quem se quer ser neste momento.

    O que se pode esperar de uma pessoa forçada a ser quem ela não é? Que sente a emoção em outra frequência? Deus? Quem é esse ser tão distante da nossa realidade? Não seria Deus o capataz da moralidade falida?

    O que mais me entristece é saber que tudo está como era antes, e que o que simplesmente mudou foi o acréscimo de maquiagem. Não tenhamos a ilusão de que, um dia, tudo isso possa mudar. A energia mental que prevalece sobre o mundo — e sobre as nossas cabeças — é uma energia profundamente opressora.

    O mundo é um ambiente hostil para nós, meros seres humanos. É um lugar que provoca nossa mentalidade selvagem. O que podemos esperar de pessoas sob o domínio do que há de mais animalesco em si? Temos escolhas?

    Me pego pensando: a felicidade existe? Será que não convencionamos certas atitudes como sendo aquelas mais próximas de uma demonstração de felicidade? A felicidade que dizemos sentir é uma felicidade genuína? Quem é feliz, de fato? É preciso ser ou ter algum tipo de poder que valide a felicidade que ocasionalmente sentimos?

    Carlos de Campos

    Convido você a ler, refletir comigo e compartilhar sua visão.
    Vamos juntos transformar a dúvida em consciência.

    Foto por Deklanu015fu00f6r 67 em Pexels.com
  • O medo da realidade obscura nos leva à fantasia

    O medo da realidade obscura nos leva à fantasia


    "Os desejos são assombros na mente."


    Sentir é uma magia
    Que toma conta de nossa mente
    E nos leva a um mundo de fantasia,
    Para muitos, uma realidade sem volta.


    Sei que nem todo mundo
    Entra nessa vida de fantasia por opção;
    Os desafios e as frustrações cotidianas muitas vezes os carregam,
    Nem sempre foi por livre opção.


    Um refúgio seguro é o que se busca
    Numa fuga desesperada,
    Dolorosa existência,
    Incinerando a mente de um mundo doente.


    A mente acelerada se desfaz;
    Uma a uma, as ideias já não fazem sentido,
    Tudo volta a ser primitivo;
    Esconder-se tornou-se um desejo avassalador.


    Mente em fuga,
    distópico,
    nuclear.


    Desejos
    irrealizáveis
    cobram —
    o seu preço.


    Distante,
    da realidade,
    vivo —
    no mundo da fantasia.

    Mente
    em colapso total,
    volta
    para o mundo primário —


    viver,
    inseguro,
    por falta
    de realidade.


    Realidade que
    se vive
    (com presença
    de espírito).

    Carlos de Campos

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    Foto por Burcu Bircan em Pexels.com
  • Momentos finais de um suicida

    Momentos finais de um suicida

    Era durante a madrugada, o silêncio pairava. Não se entendia por que Aline pensava em suicídio. Sem sinais aparentes, mergulhou em busca de uma possível solução que nunca viria. Não existe suicídio que não venha acompanhado de sinais abundantes ou fluxos enormes de conversas embutidas em metáforas e simbologias carregadas de fortes pedidos de ajuda. Não saia fazendo julgamentos precipitados sem antes conhecer todo o contexto. Somente o contexto que envolve a história da pessoa é capaz de oferecer conteúdo que indique se algo está errado ou não.

    Na vida, nem sempre é como esperamos. Estamos constantemente saindo do nosso controle. Normalmente, olhamos para tudo isso e simplesmente redirecionamos, buscando novas estratégias ou soluções. Somos naturalmente mais resilientes em nos adaptarmos aos acontecimentos. No entanto, não foi isso que aconteceu com Aline naquele dia. Foi difícil para ela admitir que nada ia bem consigo mesma. Como reconhecer que se está com um problema mental e que se precisa urgentemente de ajuda? Como Aline poderia saber que, naquele exato momento, poderia não ter mais volta caso não buscasse ajuda? As vidas dos especuladores de vidas alheias parecem fáceis agora. Naquele momento, tudo o que ela precisava era de apoio.

    Quando suas crises de ansiedade se tornaram frequentes, ninguém estava lá para ajudá-la. Julgavam-na e a condenavam como se tudo fosse uma mera vadiagem, como se suas alegações de estar enferma fossem aberrações para obter um simples atestado médico. Enquanto isso, o problema só crescia. Sentindo-se mal o tempo todo, os remédios já não faziam bem; seus efeitos eram nulos. Pelo contrário, contribuíam ainda mais para ideias perturbadoras. Tudo estava completamente fora de controle, e o terrível dia se aproximava rapidamente. Todos à sua volta seguiam suas vidas, supostamente felizes. Aline, por sua vez, estava há muito tempo sequestrada por sua mente doente. Ela, por si só, nada mais poderia fazer para salvar-se dessa situação.

    Era de madrugada, estava frio lá fora, fazia uns 10 graus. O clima de angústia era ainda pior do que já tinha sido normalizado. Aline morava sozinha no 8º andar. Suas lágrimas de desespero percorriam seu rosto; a dor interior era imensa. Ela estava profundamente impactada por seu próprio sofrimento.

    Em meio a toda aquela angústia, suas células davam os últimos suspiros, levando-a ao seu último e crucial instante de lucidez. Esse momento de pequena lucidez a fez ligar para o porteiro. Ao ouvir a voz de Aline, em meio a choro, desespero e dor, o porteiro tomou ciência da gravidade do momento. Sem perder tempo, colocou o telefone próximo ao rádio que tocava uma música e saiu correndo até o 8º andar. Chegando na frente da porta de Aline, sem demora, meteu o pé na porta, arrombando-a. Seus olhos buscaram por Aline, que ainda estava com o telefone ao ouvido, ouvindo a música. O porteiro se aproximou dela e a acolheu com um abraço forte, transmitindo segurança, enquanto pedia ajuda médica pelo celular.

    Carlos de Campos

    Foto por Steve Johnson em Pexels.com