Não existe paz onde se cultiva o medo. Não existe paz onde só há rancor. Não existe paz diante da indiferença. Tudo se esvai de nossas mãos.
O que anda cultivando em sua alma? Diga em voz alta, para que você possa ouvir. Diga para que a tua consciência tome consciência. Diga para que penses sobre o que andas fazendo.
Dúvidas sobre o que acontece após a morte? Você toma consciência de como mal viveu. Você toma consciência de tanta mesquinharia. Você só quer ter mais uma chance.
Você quer mais uma chance, só que não existe mais chance. Você argumenta que não sabia. Querer saber demais: esse é exatamente o problema.
Mais do que saber, é fundamental viver. É preferível ser ignorante diante da morte, para que a vida tenha espaço. Se luta por justiça, é para que a vida tenha espaço.
Não existe morte onde a vida imperou, onde o amor amou, onde o foco foi viver. A morte nunca foi o fim.
É, em nossa vida, um mistério da resistência, em que o não existir seja o mais coerente. De incoerência em incoerência, resistimos para existir.
É no apogeu dessa existência finita que miramos, de maneira natural, para o infinito. E, sem saber ao certo, seguimos — limitados, mas seguimos.
Perseguimos o entendimento do infinito que, quando chega até nós, é finito. É finito quando o observamos, e infinito quando buscamos alcançá-lo.
É um mistério que procuramos desvendar. Buscamos o sentido de estarmos aqui, entre o possível e o impossível e a possibilidade de sermos quem não sabemos quem somos.
São dias como este que me fazem desejar estar com você — e é normal desejar algo assim. É assim que funcionamos: queremos o que nos gera aquela aparência de tranquilidade. E não há nada de errado nisso. O problema surge quando isso se torna um álibi interno para, diante de qualquer conflito, usarmos como desculpa para pular do barco — seja do emprego, de um relacionamento ou de uma amizade. Há muita gente por aí vivendo nesse modelo de vida.
Desejo e mais desejos — é assim que estamos vivendo: desejando tudo e todos. Desejando… e, quando desejar já não funciona, então exigimos, impomos, para que os nossos desejos mais vis se realizem. É preciso desejar com muita cautela. E já passou da hora de voltar-se para o próprio interior — não como mais um gesto egoísta, mas com a firme atitude de quem vai refletir sobre a própria vida. Sobre essa vida de desejos por desejos mesquinhos.
Em busca de quê você tem pautado a sua vida? Desejos? Que tipo de desejo tem cultivado em sua existência? Deseja uma vida de segurança e tranquilidade? Será mesmo possível viver nesse clima? No que você tem pensado hoje? Ah, bem que poderia existir uma fórmula mágica para suprirmos todos os nossos desejos… desejos egoístas, desejos insaciáveis. Desejo desejar você algum dia — porque essa é a vida de quem ainda não mergulhou em sua própria existência.
A importância de se importar com o que é importante. E o que é importante? O mais importante é a vida? Se for a vida, estamos falando sobre a vida de quem? Qual classe social deve ter a vida preservada acima de tudo?
É importante pensarmos sobre esse tema? É importante para quem? Quem deveria estar interessado nisso? O que se pode fazer para melhorar? O que realmente queremos para a nossa vida?
Tudo gira, e meus pés estão flutuando. Me sinto extasiado. O que está acontecendo comigo? Anestesiado é como me sinto dentro desse mundinho. Tudo roda muito rápido. E, na roda da vida, vou tomando voltas.
O que estou dizendo? Amônia: cheiro de vingança. Delírio, importante para não dizerem que tudo são flores. Tudo é o que é, o que era, o que será. O que me importa são as flores que choram embaixo dos escombros.
É importante falar das flores? Flores cheirando a amônia? Flores cheirando a corrupção?
O destino é o que importa. Destino de uma vida cheirando mal. O mal pelo qual não nos importamos por ser no cu dos outros. Outros que, no final das contas, somos nós. Nós não nos importamos com as rosas. São flores ou são rosas? O que importa saber? Saber sobre o quê? Sobre o que estamos falando?
Qual é o mistério da vida que mais perturba as pessoas? A morte. É sempre bom lembrar que ela é irremediável. O melhor negócio é viver a vida ao máximo.
A vida segue girando: E você é culpado, inocente ou só mais um otário?
O rodar significa que não existe segurança em nossa vida.
Seja, na vida, um girassol que tem foco e sabe diferenciar quem é lua e quem é sol. Seja como o girassol, meu amigo e minha amiga.
Quem nunca foi otário? Quem nunca…? Quem nunca acreditou no amor para toda a vida? Quem nunca…?
Nunca deixe de acreditar Que o mundo é um lugar perfeito, Que Deus é brasileiro. Só não seja mais um otário.
Uma dica para a vida: Nunca seja otário, Nem acredite que é um malandro de excelência. Só sinta em quem você deve confiar nesta vida.
A vida é uma imensa mineradora a céu aberto. É preciso garimpar com muito cuidado Quem você quer ao seu lado. Amigo que vale ouro é raro.
Nunca seja um idiota Que só segue o fluxo da vida, Que acha maneiro ter ao lado más companhias Só para ter o prazer de comprovar o seu ponto de vista.
A vida é uma enorme roda-gigante. É lenta no girar, mas sempre chega ao seu destino. A vida é igual para punir ou absolver. O melhor que temos a fazer é não ser mais um otário.
Há opressão na maneira como as pessoas se impõem umas sobre as outras, e isso é o que mais impacta nossa saúde mental. Estar sempre pronto e disposto a ser feliz a todo instante é uma das expressões... Não sei se esse é o melhor caminho.
O que buscamos é, de modo geral, impossível. Nem todas as pessoas têm essa mesma disposição. É um jeito de ser impositivo que mais oprime do que liberta a pessoa — até mesmo porque, segundo nossa concepção, a liberdade está justamente em ser quem se quer ser neste momento.
O que se pode esperar de uma pessoa forçada a ser quem ela não é? Que sente a emoção em outra frequência? Deus? Quem é esse ser tão distante da nossa realidade? Não seria Deus o capataz da moralidade falida?
O que mais me entristece é saber que tudo está como era antes, e que o que simplesmente mudou foi o acréscimo de maquiagem. Não tenhamos a ilusão de que, um dia, tudo isso possa mudar. A energia mental que prevalece sobre o mundo — e sobre as nossas cabeças — é uma energia profundamente opressora.
O mundo é um ambiente hostil para nós, meros seres humanos. É um lugar que provoca nossa mentalidade selvagem. O que podemos esperar de pessoas sob o domínio do que há de mais animalesco em si? Temos escolhas?
Me pego pensando: a felicidade existe? Será que não convencionamos certas atitudes como sendo aquelas mais próximas de uma demonstração de felicidade? A felicidade que dizemos sentir é uma felicidade genuína? Quem é feliz, de fato? É preciso ser ou ter algum tipo de poder que valide a felicidade que ocasionalmente sentimos?
Carlos de Campos
Convido você a ler, refletir comigo e compartilhar sua visão. Vamos juntos transformar a dúvida em consciência.