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  • Livro 1 : Solidão digital (Poema 02/60) Movimento os meus sonhos para além

    Livro 1 : Solidão digital (Poema 02/60) 

    Movimento os meus sonhos para além

    Os sonhos são apagados da memória
    Uma luz ao fundo
    Observa no escuro
    Na longa, cansada madrugada.

    https://caravanagrupoeditorial.com.br/produto/enquanto-a-solidao-me-abraca/

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    Os sonhos foram destruídos
    Como as nossas memorias de infancia
    Uma a uma se vão
    Sem paz observo no escuro.

    Moedores de esperança
    Triunfam sobre as nossas cabeças
    Desacreditada
    Maldito és tu capitalismo.

    O que somos?
    Além de artefatos para gerar riqueza alheia
    Somos os sonhos que foram destruídos
    Somos quem vive por viver.

    Em um mundo onde as cartas já estão marcadas
    O que somos além da memória?
    Uma parcela enorme que vive de barriga vazia
    O que somos além de assalariados?

    Uma enorme massa de manobra é o que somos?
    O que somos além de sonhos despedaçados?
    De mera ilusão
    É de ilusão que você se alimenta.

    Carlos de Campos
  • Não canto mais por justiça tributária

    Não canto mais por justiça tributária


    Lá pelas bandas que me exploram,
    Sei que o que menos importa
    É que eu tenha meu bem-estar respeitado.
    Nada é tão repugnante de saber.


    Lá pelas bandas que me exploram,
    Eu vejo até o que Deus duvida.
    Eu vejo a miséria sendo lucrativa,
    Eu vejo a riqueza superfaturada.


    Nem a pior legião demoníaca é tão desonesta
    Quanto a crueldade exercida pelo capitalismo.
    Tudo o que toca vira pó,
    É espantoso saber que tem muita gente que concorda.


    Um império pessoal ou de um país, para sobreviver,
    Precisa impor suas condições, sejam quais forem.
    Doa a quem doer,
    O objetivo é sempre o lucro a qualquer custo.


    Lucro exorbitante para poucos,
    Miséria absoluta para muitos.
    O terror inflacionário é implacável,
    Consumindo vidas pelos juros.


    Lugar onde nada prospera,
    Enormes são as filas da inadimplência,
    Onde a maioria não consegue se desenvolver.
    Lugar onde se lucra com a pobreza.


    Movimento de desconstrução do capitalismo,
    Que escancara os altos juros.
    Movimento de desconstrução do capitalismo,
    Que denuncia que o pobre ainda tem trabalho forçado.


    Multidões passam fome,
    No cotidiano a pobreza é extrema.
    O trabalho é análogo à escravidão,
    As pessoas ainda vivem produzindo riquezas para terceiros.


    O silêncio dos oprimidos clama por justiça social.
    A “liberdade democrática” precariza.
    A taxação comercial é a nova pandemia,
    Mas quase ninguém se importa.


    Meu desolado canto é solitário.
    É inútil o canto que eu canto.
    Canto o canto dos injustiçados,
    Canto o lamento de minha alma empobrecida.


    Meu lamento vem de um coração miserável,
    De um corpo maltratado pela fome e pelo frio,
    E que, quando doente, encontra um sistema perdido.
    Meu canto canta por uma boa morte.

    Carlos de Campos
    Foto por Kindel Media em Pexels.com