Nosso destino em queda
Olhe esta geração da vingança.
Leia os sinais que vêm do mundo.
Mostre os delírios.
Assusta-me saber que acham normal
ver os delírios.
Observe: nada disso é normal.
Carlos de Campos

Nosso destino em queda
Olhe esta geração da vingança.
Leia os sinais que vêm do mundo.
Mostre os delírios.
Assusta-me saber que acham normal
ver os delírios.
Observe: nada disso é normal.
Carlos de Campos

Um mar de lamentação
Solidão.
Estado em que se encontra a minha alma.
Alma ferida.
Coração esvaziado.
Solidão.
Estado consciente da nossa sociedade.
Coração ferido.
Alma vazia.
Em que estado estamos?
Estamos em um estado deplorável,
de constante insatisfação.
Um mar de pessoas
que cultiva esse estado,
estado do mais completo abandono.
Carlos de Campos

A contradição contra-ataca
Ainda que o desejo seja só mais um desejo. Tudo o que temos no final são só desejos. Sonhamos com um mundo mais justo, e o que encontramos são só injustiças que projetamos.
Os nossos sonhos anulam os nossos desejos. Somos feitos da poeira da injustiça, da rivalidade estratégica, da dominação do mais forte. Tudo o que temos em termos de direitos e garantias é ilusão.
Somos seres viventes à base de ilusão. Somos desejos e sonhos não realizados. Somos os dominados e os dominadores, somos a naturalização dessas relações. Somos e queremos ser assim.
Se algum dia estivermos dispostos a enfrentar as nossas causas interiores, nos rebelarmos contra as nossas incoerências, quando tivermos a coragem de dialogar com a nossa essência, é possível que o mundo melhore.
No paradoxo da nossa existência sempre nos encontraremos; cada um de nós carrega essa profunda contradição, contradições em cima de contradições; essencialmente, tudo em nós é contraditório.
Um dia encontraremos o caminho onde a doce ilusão será subjugada pela dura realidade; neste momento, é preciso entender que não sobrará contradição sobre contradição.
Carlos de Campos

Osso
Morte, onde se esconde?
Baforada do destino,
Cadeado que nos prende à razão,
Fúnebre é a vida.
Atropelados pelo consumismo,
Sem limites,
Forjados pela angústia,
Das últimas impactadas pela miséria.
Luxúria com o dinheiro alheio,
Alheios a toda essa ambição,
Ambição que promove a miséria,
Miséria escancarada para que todos vejam.
E observando, não façam nada.
Nas ruas, vejo ossos se movendo,
Sem destino,
Levando como podem,
O fóssil ambulante segue o seu caminho.
Carlos de Campos
