Tag: Social Criticism

  • Nosso destino em queda

    Nosso destino em queda

    Olhe esta geração da vingança.
    Leia os sinais que vêm do mundo.
    Mostre os delírios.
    Assusta-me saber que acham normal
    ver os delírios.
    Observe: nada disso é normal.

    Carlos de Campos
  • Um mar de lamentação


    Um mar de lamentação

    Solidão.
    Estado em que se encontra a minha alma.
    Alma ferida.
    Coração esvaziado.

    Solidão.
    Estado consciente da nossa sociedade.
    Coração ferido.
    Alma vazia.

    Em que estado estamos?
    Estamos em um estado deplorável,
    de constante insatisfação.

    Um mar de pessoas
    que cultiva esse estado,
    estado do mais completo abandono.

    Carlos de Campos
    Foto por armau011fan bau015faran em Pexels.com
  • A contradição contra-ataca



    A contradição contra-ataca

    Ainda que o desejo seja só mais um desejo. Tudo o que temos no final são só desejos. Sonhamos com um mundo mais justo, e o que encontramos são só injustiças que projetamos.

    Os nossos sonhos anulam os nossos desejos. Somos feitos da poeira da injustiça, da rivalidade estratégica, da dominação do mais forte. Tudo o que temos em termos de direitos e garantias é ilusão.

    Somos seres viventes à base de ilusão. Somos desejos e sonhos não realizados. Somos os dominados e os dominadores, somos a naturalização dessas relações. Somos e queremos ser assim.

    Se algum dia estivermos dispostos a enfrentar as nossas causas interiores, nos rebelarmos contra as nossas incoerências, quando tivermos a coragem de dialogar com a nossa essência, é possível que o mundo melhore.

    No paradoxo da nossa existência sempre nos encontraremos; cada um de nós carrega essa profunda contradição, contradições em cima de contradições; essencialmente, tudo em nós é contraditório.

    Um dia encontraremos o caminho onde a doce ilusão será subjugada pela dura realidade; neste momento, é preciso entender que não sobrará contradição sobre contradição.

    Carlos de Campos
    Foto por Paul Blenkhorn @SensoryArtHouse em Pexels.com
  • Osso

    Osso

    Morte, onde se esconde?
    Baforada do destino,
    Cadeado que nos prende à razão,
    Fúnebre é a vida.

    Atropelados pelo consumismo,
    Sem limites,
    Forjados pela angústia,
    Das últimas impactadas pela miséria.

    Luxúria com o dinheiro alheio,
    Alheios a toda essa ambição,
    Ambição que promove a miséria,
    Miséria escancarada para que todos vejam.

    E observando, não façam nada.
    Nas ruas, vejo ossos se movendo,
    Sem destino,
    Levando como podem,
    O fóssil ambulante segue o seu caminho.

    Carlos de Campos

    Foto por Felipe Hueb em Pexels.com