Calma bem-vinda Que vem do fundo do ser De uma alma cansada, Atolada de trabalho, Que impede a vida de ter sentido, Experimentando os aborrecimentos contínuos.
Empoderando os desafios, Suprimindo uma vida de afetos, Afetos de um companheirismo. Finge que está tudo bem, Quando, na verdade, está no fundo de uma fossa, Uma fossa profunda, escura e úmida.
Lá no fundo da fossa, A alma encontra forças para resistir, Mesmo sem saber como vai sair. A alma, devotamente, começa a entoar o canto da resistência, O canto sobre a esperança, Que canta o amor que nos faz seres humanos.
De dentro do fosso, Em meio ao canto que está sendo entoado, Sem mais qualquer esperança, Entre o medo e a perseverança, Entre o abuso e o amor, A alma, em meio à intensa dor, Rasga as vestes corporais. Mesmo ainda fraca, a alma rasteja, Rasteja para fora daquela fossa. Sai em busca de um sentido para sua vida, No ápice do seu esquecimento, Enquanto pessoa humana, Que, mesmo sendo anulada de todas as formas, Busca ser resistência, Busca ser a expressão real e verdadeira do amor. E nunca pensa em desistir.
No interior do seu ser, Existe uma fonte natural Da mais pura água, Água límpida e refrescante, Capaz de matar a sede por justiça, Dando ao corpo, alma e espírito Uma vitalidade sobrenatural, Um olhar místico, Que vê a realidade além da materialidade, O bem em tudo à sua volta, Em uma vida repleta de amor E que só vê sentido se for para amar.
O movimento mais importante em uma vida É o movimento sincronizado de uma alma. É onde a alma encontra o seu próprio caminho, Um destino de escolhas fáceis, De vitórias bem celebradas E de derrotas aceitas e muito bem digeridas. Movimento que move a alma sempre para a verdade, Íntegra caminha com a sabedoria, E de mãos dadas segue com a esperança.
Um coração que sofre
No desejo absoluto
Entrego o coração
Na mais triste desilusão
Mergulhar de cabeça nunca é bom.
Nem tudo são flores
Existem desamores
Nem tudo é como gostaríamos que fosse
O ideal é estar fora dessa fossa.
Flores despedaçadas no jardim
É como anda o coração
Frio e quase sem vida
Na mais sórdida solidão.
Quando o coração se entristece
Pede para que todo sofrimento cesse
Vai deixando pedaços pela vida
Cheio de agonia.
Ao coração me dirijo
No mais profundo do ser
Quem um dia amou
Hoje, somente sofre.
Carlos de Campos