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  • Te alimento para que não morras de fome

    Te alimento para que não morras de fome

    Empenho-me em dissuadi-lo dessa ideia,
    ideia que não se sustenta mais.
    E me comprometo a estar ao seu lado,
    especialmente quando tudo for só ilusão.

    Os dilemas são constantes.
    O ideal é ter estabilidade,
    ancorar-se em resoluções, no mínimo, palpáveis,
    interiorizando o que se tem de melhor a oferecer.

    Admira-me ver as coisas como estão.
    Entender o que se passa tornou-se fundamental.
    A felicidade, hoje, passa por essa compreensão:
    para quem ou para o quê a sua atenção está voltada?

    Fala-se muito e tão pouco se ouve,
    e, quando se ouve, ouve-se somente o que se deseja.
    Torna-se difícil a vida dos seletivos,
    encapsulando-se em um mundo em que não se admitem contradições.

    Iludidos — é como estamos.
    E, por isso, é preciso manter os dois pés no chão,
    saber lidar com as diversas contradições,
    contradições que nos permitem evoluir.

    Não existe beleza sem defeitos,
    muito menos verdade pronta e acabada.
    A vida é uma contínua construção social,
    em que cada indivíduo oferece o que tem de melhor de si.

    Carlos de Campos

    ✨ Te alimento para que não morras de fome.
Um poema sobre cuidar, resistir, escutar e seguir — mesmo quando tudo parece ilusão.
Vivemos em tempos de barulho, onde ouvir de verdade é um ato de amor.
    Foto por olga Volkovitskaia em Pexels.com