Distante do que sou é como me encontro. O que penso ser? Distante da distante felicidade me sinto. Sente o que sente? Em meu peito pulsa um sonho, o sonho de quem sonha acordado; em meu corpo vibra esse sonho, o sonho distante de mim, dos sonhos que sonhei e sonho.
Suas manhãs nascem ensolaradas Nascem como se nasce uma vida Da mais pura harmonia Nascem porque precisam nascer É como cada sonho que sonhamos Nascem como o amor pelo caminho.
Um sonho pode ser distante, repleto de altos e baixos; sonho aquece um coração, dá mais esperança. Um sonho pode até estar distante, mas nunca estará esquecido, porque a vida de um homem é movida a sonhos, mesmo que o sonho esteja distante ou à margem de uma realidade possível de um amor esquecido.
Tudo na vida é movido a sonhos. Sonhos são como um mapa da mina que indica a direção e a possível localização. Assim como o mapa da mina gera em quem sonha a mesma alegria e a mesma esperança de quem possui um mapa do tesouro, é uma deliciosa expectativa, a mesma expectativa dos que buscam encontrar o ouro do mapa da mina.
Lembro-me de uma história A história de uma pepita de ouro Que foi escondida No fundo de um quintal Escondida de tal forma Que, de escondida, foi esquecida Esquecida e sem nenhuma referência, Existe uma pepita de ouro escondida que foi esquecida.
Esquecer não significa que resolveu; esquecer é se negar a aceitar que tudo isso aconteceu e que os acontecimentos geraram e geram, ainda hoje, certo desconforto. Procuraram enterrar em qualquer quintal esquecido para que esquecido permaneça. Quantos sonhos nos tentam recordar daquela pepita de ouro esquecida que não queremos mais recordar?
Existe um sonho distante, tão distante que se encontra próximo desse peito que pulsa sonhos; o sonho de ser encontrado, de ser possível o acolhimento. Existe um sonho tão próximo, próximo desse corpo ferido, corpo vibrante, mas que se encontra ferido.
Corpo mapeado por sofrimento, que encontra dentro de si mesmo milhões de razões em base de ouro para viver, para sentir o sentido da existência. No parque de sua alma, eis que se encontra o que você busca.
Ir é sentir que a mudança é necessária, ir é decidir permitir que a mudança aconteça. Quero deixar ir, ir embora para bem longe tão longe que não saiba mais voltar.
Onde cada pessoa ao se ver não reconhece na imagem em que se vê. Ver é ir além para que as mudanças aconteçam. É se casar com a própria imagem. Ir cabe a aceitação.
Quem se recusou a ir além? Além das fronteiras? Além de tudo o que é posto? Posto em nossa garganta abaixo? Ir além da fronteira é necessário é um ato de coragem porque exige de nós sempre mudanças.
Vá para dentro de si, de sua realidade persistente que bloqueia o que você permitiu ir, que não facilita a sua decisão de mudança. O muro está posto diante de ti. Para seguir é preciso ir além.
São as lembranças dolorosas que te prendem São as decisões que te assustam São como névoas em uma estrada de madrugada que reduz a nossa visibilidade, a nossa lucidez para que possamos ir além. O que precisamos fazer? É ir além.
O que fazer depende do que você decidir independente de qual seja a sua decisão, ela sempre será uma decisão acertada, porque sempre será uma decisão de quem decidiu decidir ir além. Ir além é decidir-se pela mudança.
A importância de se importar com o que é importante. E o que é importante? O mais importante é a vida? Se for a vida, estamos falando sobre a vida de quem? Qual classe social deve ter a vida preservada acima de tudo?
É importante pensarmos sobre esse tema? É importante para quem? Quem deveria estar interessado nisso? O que se pode fazer para melhorar? O que realmente queremos para a nossa vida?
Tudo gira, e meus pés estão flutuando. Me sinto extasiado. O que está acontecendo comigo? Anestesiado é como me sinto dentro desse mundinho. Tudo roda muito rápido. E, na roda da vida, vou tomando voltas.
O que estou dizendo? Amônia: cheiro de vingança. Delírio, importante para não dizerem que tudo são flores. Tudo é o que é, o que era, o que será. O que me importa são as flores que choram embaixo dos escombros.
É importante falar das flores? Flores cheirando a amônia? Flores cheirando a corrupção?
O destino é o que importa. Destino de uma vida cheirando mal. O mal pelo qual não nos importamos por ser no cu dos outros. Outros que, no final das contas, somos nós. Nós não nos importamos com as rosas. São flores ou são rosas? O que importa saber? Saber sobre o quê? Sobre o que estamos falando?