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  • Preciso de você na ausência de minha alma

    Preciso de você na ausência de minha alma

    No desejo escondido revela-se a tua essência. É no amor que me recolho. Na incerteza dos dias, me rebelo. Restaram-me o teu olhar frio e vazio, inocente de malícia. Estou em busca — em busca dos sonhos não resolvidos, dos dilemas que foram enaltecidos. É hora do amor, das ilusões de cada momento. Quem sou eu nesse mundo de tristeza e desencanto coletivo?

    Longe do amor, dedico-me a estar perto de você. Nesse momento sombrio, fico sem entender mais nada. Longe de você, só me resta a solidão — vazio cheio de presença, ausência de mim e de você, dos desvios existenciais e dos desejos carnais. Carne fresca de frescura exuberante, de um declínio extravagante de nossa liberdade, pautada pelos nossos erros, que vão deixando rastros pela história.

    O instinto primitivo nos rege, fazendo-nos reagir de maneira um tanto grosseira. Os instintos primitivos me fazem sucumbir em devaneios sinceros, em alucinações rabiscadas pelo ópio da contradição de uma tradição que me contraria a todo tempo, sufocando-me. Quase sempre estou cansado de ser quem sou.

    Carlos de Campos

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  • Parasitas conscientes do seu fim

    Parasitas conscientes do seu fim

    Somos a potência do desequilíbrio da natureza. Somos parasitas, a única e principal causa de toda destruição existente neste planeta. Quem mais tem o dom de chegar a um lugar e destruir em poucas horas? Quem mais produz toneladas de lixo ao ponto de não ter mais onde descartar? Quem mais paga de intelectual elevado, mas é incapaz de conter a si mesmo e continua a destruir e destruir em tempo recorde? Somos nós, seres humanos parasitas.

    É com pesar que, olhando para o cenário atual, não consigo vislumbrar nada — nem mesmo uma fagulha de otimismo — de que o ser humano está minimamente convencido a parar e começar uma mudança de fato. Até o momento, tudo o que foi feito não provocou nenhuma transformação. Continuamos convictos e muito determinados a dar prosseguimento à destruição do meio ambiente em que vivemos e convivemos. Nós fracassamos e, no fracasso, assumimos o nosso lugar de parasitas.

    Nada é capaz de conter o ser humano e sua alucinação de poder e domínio. Poder e domínio que são buscados por meio da destruição do planeta. Não existe consequência trágica que o faça parar. O ser humano é imediatista, e toda a sua estrutura de sobrevivência se consolidou nessa dinâmica. Parar pra quê? Vê a natureza como vê o seu semelhante: um serviçal qualquer, que tem a obrigação de gerar recursos para sua sobrevivência. E, como já disse, não há final mais trágico que possa acontecer e que convença um ser humano a mudar de ideia. Mesmo sabendo — e justamente por saber disso — continua a fazer como vem fazendo. O ser humano é um parasita educado.

    Carlos de Campos

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