Tag: Impunidade

  • Mãos de Assédio

    Mãos de Assédio

    Sua mão perdida em minha perna.
    Meu silêncio denuncia o medo.
    O que fazer? Pergunto-me.
    No silêncio, perco-me dentro de mim,
    na angustiante dúvida de denunciar.
    Já não estou mais lá.

    Durante toda a noite, fiquei acordada.
    Fazer o que sobre isso?
    Me calar?
    Denunciar?
    Há tantas perguntas,
    onde só deveria existir uma certeza:
    que não fosse a certeza da impunidade.
    Sinto-me confusa,
    estranhamente lúcida,
    pela certeza que tenho
    de que me calar é o melhor caminho.
    O medo só aumenta
    à medida que o dia se aproxima.
    Não me sinto bem.
    Minha voz desapareceu.
    Ainda sinto sua mão suja em mim.

    A cidade se movimenta.
    Deitada e com calafrios, me encontro.
    Distante da realidade, tento me projetar.
    Projeto-me para tão longe que não quero mais voltar.
    Voltar significa me acovardar.
    Na penumbra dos meus pensamentos, me escondo.

    Carlos de Campos

  • Onde repousa a paz?

    Onde repousa a paz?

    No desejo que se encontra a busca
    No encontro e desencontro
    Em cada um em que se manifesta a maldade
    Na deturpação do sentimento fragmentado.

    Na extravagância onde se esconde a imoralidade
    Que fica na espreita
    Reagindo aos pequenos delitos
    Nos maltratando interiormente.

    Odeio e sinto ódio
    Engulo o passado sem solução
    Impunidade, é como chamo.

    Odeio o dia de paz
    Odeio as noites de guerra
    Busco uma solução pacífica.

    Carlos de Campos

    Foto por Milad Farhani em Pexels.com