Mãos de Assédio

Mãos de Assédio

Sua mão perdida em minha perna.
Meu silêncio denuncia o medo.
O que fazer? Pergunto-me.
No silêncio, perco-me dentro de mim,
na angustiante dúvida de denunciar.
Já não estou mais lá.

Durante toda a noite, fiquei acordada.
Fazer o que sobre isso?
Me calar?
Denunciar?
Há tantas perguntas,
onde só deveria existir uma certeza:
que não fosse a certeza da impunidade.
Sinto-me confusa,
estranhamente lúcida,
pela certeza que tenho
de que me calar é o melhor caminho.
O medo só aumenta
à medida que o dia se aproxima.
Não me sinto bem.
Minha voz desapareceu.
Ainda sinto sua mão suja em mim.

A cidade se movimenta.
Deitada e com calafrios, me encontro.
Distante da realidade, tento me projetar.
Projeto-me para tão longe que não quero mais voltar.
Voltar significa me acovardar.
Na penumbra dos meus pensamentos, me escondo.

Carlos de Campos

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