Tag: poesia emocional

  • Mãos de Assédio

    Mãos de Assédio

    Sua mão perdida em minha perna.
    Meu silêncio denuncia o medo.
    O que fazer? Pergunto-me.
    No silêncio, perco-me dentro de mim,
    na angustiante dúvida de denunciar.
    Já não estou mais lá.

    Durante toda a noite, fiquei acordada.
    Fazer o que sobre isso?
    Me calar?
    Denunciar?
    Há tantas perguntas,
    onde só deveria existir uma certeza:
    que não fosse a certeza da impunidade.
    Sinto-me confusa,
    estranhamente lúcida,
    pela certeza que tenho
    de que me calar é o melhor caminho.
    O medo só aumenta
    à medida que o dia se aproxima.
    Não me sinto bem.
    Minha voz desapareceu.
    Ainda sinto sua mão suja em mim.

    A cidade se movimenta.
    Deitada e com calafrios, me encontro.
    Distante da realidade, tento me projetar.
    Projeto-me para tão longe que não quero mais voltar.
    Voltar significa me acovardar.
    Na penumbra dos meus pensamentos, me escondo.

    Carlos de Campos

  • Nostalgia?

    Nostalgia?

    Contemplo um passado,
    história que ainda emociona,
    o calor do teu abraço.

    Carlos de Campos
  • Beleza que atravessa a alma

    Beleza que atravessa a alma

    Em cada olhar, me vejo
    No belo momento em que te encontro.
    Estou preso a você.
    Bom mesmo é ficar aqui com você.

    Momentos como esse
    Devem ser eternizados,
    Como que emoldurados
    De amor que fica em nossas memórias.

    Meu amor, te quero.
    Quero que, em meus braços, você descanse
    E se sinta seguro.

    Olhos que me buscam,
    Olhos que me amam,
    Que, com um beijo, tudo selam.

    Carlos de Campos

  • O soco que rasga com crueldade

    O soco que rasga com crueldade

    Tudo era aparentemente tranquilo.
    Existia amor entre nós.
    Estávamos felizes.
    Amanhece…
    Está como estávamos antes.
    Só deixe passar…
    Que aqueles empurrões “inocentes”
    escalariam tão rápido assim.

    Carlos de Campos

    Os pequenos sinais de violência quase nunca começam como um grande desastre, mas podem crescer silenciosamente até destruir vidas; por isso, empurrões, humilhações, ameaças e agressões “inocentes” jamais devem ser normalizados. No Brasil, vítimas ou testemunhas podem denunciar violência doméstica pelo telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher), 190 em situações de emergência, ou procurar a Delegacia da Mulher, além de canais oficiais como a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.
  • Mostre-me as suas mãos

    Mostre-me as suas mãos

    Suas mãos trêmulas
    Diante da vida,
    trêmulas em meio ao desconforto.
    Das mãos aos pés, eu absorvo.

    Mãos que seguram o copo com água,
    que bebem a água,
    que vivem na busca
    do desfecho mais real.

    No altar da vida, celebramos as mãos
    que, mesmo trêmulas, seguram com firmeza.
    Na vida, produzem o nosso sustento,
    são-nos consolo a todo instante.

    Mãos que nos ajudam a superar,
    no dia a dia nos encorajam a continuar,
    a solução sempre nos fazem encontrar,
    mãos que nos são estendidas para ajudar.

    Mãos do amado,
    mãos da amada,
    mãos que, distantes, teimam em continuar,
    mãos que precisam se reconciliar.

    Aproximo-me de suas mãos,
    com respeito e carinho me aconchego,
    beijo essas mãos em agradecimento,
    e tudo volta a fazer mais sentido.

    Carlos de Campos
  • Sonhos desajeitados


    Sonhos desajeitados

    Sonho em ser amada.
    Esse sonho me sufoca.
    Sonhar que eu preciso do seu amor…
    Você me responde?

    Enquanto a solidão me abraça

    Estou feliz durante o dia,
    feliz com a minha vida profissional.
    Eu preciso admitir:
    você faz falta dentro de mim.
    Meus sonhos com você me sufocam.

    Te quero como essa paixão louca.
    Desde o amanhecer, eu te busco.
    Me perco em você,
    minha inquietude.

    Quero renovar as minhas juras de amor por você,
    meu instante consumado,
    meu desejo perpetuado.
    Que tuas mãos me alcancem.

    Quem és
    que bate à minha porta,
    que faz o meu coração acelerar?
    Quem és?

    Meu sonho,
    meu instante de prazer,
    meu declínio como mulher,
    o amor que tanto desejo.

    Carlos de Campos
    Foto por Ryanniel Masucol em Pexels.com
  • O silêncio de uma noite de terror


    O silêncio de uma noite de terror

    Foi em uma manhã qualquer
    Vi-me aterrorizada.
    Sem chão, lá estava eu,
    Diante do medo indomável.

    Mostrou-me a sua face,
    Sem qualquer pudor, arruinou-me.
    Em uma manhã qualquer,
    Deitada eu me encontrava.

    Tudo parou de repente.
    Era como se aquele trauma
    Tivesse sobre mim um poder sobrenatural.
    Sinto-me triste.

    Suas mãos me dominavam,
    Nada me era possível fazer.
    Eu chorava em silêncio,
    Um choro que só desejava vingança.

    Na manhã seguinte,
    Sem muito o que pensar,
    Além do terror da noite anterior
    E de como tudo aquilo já se tornara rotina.

    Na manhã desta triste vida,
    Termina aqui.
    Nada mais tenho a falar,
    Além do meu silêncio, que deve incomodar.

    Carlos de Campos
    Foto por Kat Smith em Pexels.com
  • Olhamos e não fazemos questão de sentir



    Olhamos e não fazemos questão de sentir

    Vê, o mundo anda em frangalhos,
    destituído de sua sensibilidade.
    Vê o horror da guerra,
    dos inocentes…

    Os teus olhos viram,
    tua razão disfarçou,
    tua insensibilidade atracou,
    a tua inocência foi gravemente ferida.

    O meu mundo anda muito conturbado,
    dizem uns aqui, outros ali,
    e continuamos a jogar mais lenha na fogueira.

    O meu sentido se esconde,
    não dando a chance de se reconciliar,
    perdendo mais uma oportunidade de nos curarmos.

    Carlos de Campos

    Foto por Nikhil Manan em Pexels.com
  • Ouve essa alma apaixonada



    Ouve essa alma apaixonada

    Ouça…
    Tua alma te chama,
    tua guia para todos os dias.
    Ouça e dê ouvido a essa voz.

    Ouça…
    Dê ouvido a quem quer te ajudar.
    Tua guia quer te levar para a paz.
    Ouça e escute.

    Tua corrente sanguínea,
    tua paz há de se instalar.
    Tua corrente sanguínea,
    teu ser há de relaxar.

    Me diga o que você ouve,
    escute o que me diz.
    Diz o que diz
    e sinta a paz a te invadir.

    Corrente sanguínea, fluxo da vida,
    da vida tranquila,
    da vida estável,
    da vida que só quer oferecer vida.

    Fim de toda essa correria,
    aflição dando lugar à razão,
    razão que ouve o conselho da vida.
    Viva com tranquilidade.

    Carlos de Campos
    Foto por Mikhail Nilov em Pexels.com
  • Faz tempo que tudo terminou



    Faz tempo que tudo terminou

    Gostoso é ver você todo dia.
    Conversar com você me faz tão bem.
    É assim que me sinto todos os dias
    quando me encontro com você.

    É bom ter você em minha companhia,
    ver o teu sorriso me acolhendo.
    O dia é bem mais leve,
    e tudo fica mais colorido.

    Um dia eu acordei
    e procurei por você pela casa inteira,
    mas não te encontrei.
    Nem as suas coisas estavam mais lá.

    Para onde você foi?
    Como isso aconteceu?
    Por que você foi embora sem falar comigo?
    Fico aqui sem entender nada.

    Estou aqui te esperando.
    Se eu desistir, o que eu faço?
    O que ainda não entendo é por que você foi embora
    sem dizer uma única palavra.

    Já faz dois anos que você foi embora,
    sem dizer uma única palavra,
    sem esboçar um gesto de insatisfação.
    Faz dois anos que te espero encontrar.

    Carlos de Campos
    Foto por Jasmin Wedding Photography em Pexels.com