Sua mão perdida em minha perna. Meu silêncio denuncia o medo. O que fazer? Pergunto-me. No silêncio, perco-me dentro de mim, na angustiante dúvida de denunciar. Já não estou mais lá.
Durante toda a noite, fiquei acordada. Fazer o que sobre isso? Me calar? Denunciar? Há tantas perguntas, onde só deveria existir uma certeza: que não fosse a certeza da impunidade. Sinto-me confusa, estranhamente lúcida, pela certeza que tenho de que me calar é o melhor caminho. O medo só aumenta à medida que o dia se aproxima. Não me sinto bem. Minha voz desapareceu. Ainda sinto sua mão suja em mim.
A cidade se movimenta. Deitada e com calafrios, me encontro. Distante da realidade, tento me projetar. Projeto-me para tão longe que não quero mais voltar. Voltar significa me acovardar. Na penumbra dos meus pensamentos, me escondo.