Tag: violência contra a mulher

  • Mãos de Assédio

    Mãos de Assédio

    Sua mão perdida em minha perna.
    Meu silêncio denuncia o medo.
    O que fazer? Pergunto-me.
    No silêncio, perco-me dentro de mim,
    na angustiante dúvida de denunciar.
    Já não estou mais lá.

    Durante toda a noite, fiquei acordada.
    Fazer o que sobre isso?
    Me calar?
    Denunciar?
    Há tantas perguntas,
    onde só deveria existir uma certeza:
    que não fosse a certeza da impunidade.
    Sinto-me confusa,
    estranhamente lúcida,
    pela certeza que tenho
    de que me calar é o melhor caminho.
    O medo só aumenta
    à medida que o dia se aproxima.
    Não me sinto bem.
    Minha voz desapareceu.
    Ainda sinto sua mão suja em mim.

    A cidade se movimenta.
    Deitada e com calafrios, me encontro.
    Distante da realidade, tento me projetar.
    Projeto-me para tão longe que não quero mais voltar.
    Voltar significa me acovardar.
    Na penumbra dos meus pensamentos, me escondo.

    Carlos de Campos

  • O soco que rasga com crueldade

    O soco que rasga com crueldade

    Tudo era aparentemente tranquilo.
    Existia amor entre nós.
    Estávamos felizes.
    Amanhece…
    Está como estávamos antes.
    Só deixe passar…
    Que aqueles empurrões “inocentes”
    escalariam tão rápido assim.

    Carlos de Campos

    Os pequenos sinais de violência quase nunca começam como um grande desastre, mas podem crescer silenciosamente até destruir vidas; por isso, empurrões, humilhações, ameaças e agressões “inocentes” jamais devem ser normalizados. No Brasil, vítimas ou testemunhas podem denunciar violência doméstica pelo telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher), 190 em situações de emergência, ou procurar a Delegacia da Mulher, além de canais oficiais como a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.
  • Não é mais uma mulher, é a regra do machismo





    “Não é mais uma mulher, é a regra do machismo” é um poema que transcende a estética para se tornar denúncia. Aqui, cada verso é um passo em direção ao colapso — não só do corpo da personagem, mas de uma estrutura social adoecida. Um texto que precisa ser lido com o coração aberto e a consciência alerta.



    Não é mais uma mulher, é a regra do machismo

    Impaciente…
    Dirige-se ao balcão do caixa.
    Está com pressa,
    E a fila é enorme.

    Impaciente, fila enorme,
    Começa a passar mal.
    Seu corpo pálido e fraco
    Desaba na fila daquele supermercado.

    A ambulância chega.
    A mulher, ali mesmo, recebe os primeiros socorros.
    É preciso levá-la com urgência para o hospital:
    É mais grave do que parece.

    É vida ou morte!
    É sangramento interno.
    Os paramédicos correm contra o tempo.
    É vida ou morte!

    O silêncio do centro cirúrgico
    É interrompido pelo “piiiiiii” do monitor cardíaco,
    Um som específico que revela
    Que a vida se esvaiu.

    Os médicos nada mais podiam fazer.
    Um tiro nas costas perfurou seu pulmão.
    Foi alvejada na fila do supermercado
    Pelo próprio filho.

    Carlos de Campos
    Foto por Charlie Rock-driguez em Pexels.com