Tag: empatia

  • Mãos de Assédio

    Mãos de Assédio

    Sua mão perdida em minha perna.
    Meu silêncio denuncia o medo.
    O que fazer? Pergunto-me.
    No silêncio, perco-me dentro de mim,
    na angustiante dúvida de denunciar.
    Já não estou mais lá.

    Durante toda a noite, fiquei acordada.
    Fazer o que sobre isso?
    Me calar?
    Denunciar?
    Há tantas perguntas,
    onde só deveria existir uma certeza:
    que não fosse a certeza da impunidade.
    Sinto-me confusa,
    estranhamente lúcida,
    pela certeza que tenho
    de que me calar é o melhor caminho.
    O medo só aumenta
    à medida que o dia se aproxima.
    Não me sinto bem.
    Minha voz desapareceu.
    Ainda sinto sua mão suja em mim.

    A cidade se movimenta.
    Deitada e com calafrios, me encontro.
    Distante da realidade, tento me projetar.
    Projeto-me para tão longe que não quero mais voltar.
    Voltar significa me acovardar.
    Na penumbra dos meus pensamentos, me escondo.

    Carlos de Campos

  • Sem justiça social, não existe possibilidade de pacificação



    O poema “Sem justiça social não existe possibilidade de pacificação” é uma reflexão sobre as contradições estruturais da sociedade contemporânea.

    Sem justiça social, não existe possibilidade de pacificação

    Justiça?
    Para quem?
    Para quando?

    O que se espera da justiça?
    Dos longos e exaustivos julgamentos?
    Espera-se justiça?

    O que a sociedade compreende por justiça?
    O que se espera da justiça?
    Nas entrelinhas, o que o povo almeja de verdade?

    Ouço o grito do povo
    pedindo por vingança.
    Assusto-me quando só sinto o hálito de sangue.

    Não estou aqui para julgar.
    Cada pessoa tem o seu motivo.
    Só me permitam alertar: esse não é o melhor caminho.

    O sol se põe sobre a razão.
    É evitável que a justiça seja nossa única solução,
    e é incoerente dizermos que ninguém precise de educação.

    Queremos soluções fáceis para coisas complexas.
    Queremos justiça em um país sem educação.
    Queremos educação em um país sem justiça social.

    Carlos de Campos
    Foto por Pavel Danilyuk em Pexels.com
  • O egoísmo nosso de cada dia

    O egoísmo nosso de cada dia

    No entardecer da vida seguiremos confiantes. Os desafios são muitos e certamente assustadores, mas é preciso continuar e confiar que nada deve ser motivo de desânimo. Sim, eu sei que é difícil pensar assim. 

    Sei também que só temos duas opções: uma é desistir. Querem nos convencer de que precisamos desistir e continuar de cabeça baixa diante de quem só nos explora e depois nos descarta. A segunda opção é resistir, insistir, mesmo que tudo e todos tentem nos impedir, porque é exatamente isso que eles querem de nós: que desistamos para que, desistindo, continuem nos humilhando.

    Vivemos em um contexto de guerra permanente, uma guerra ideológica em que um lado deseja nos alertar de que precisamos nos valorizar, buscar juntos a justiça social e fazer da vida nossa principal meta. 

    Que o trabalho seja um dos tantos instrumentos para alcançar o objetivo de ser plenamente feliz, e não um instrumento de trabalho forçado. Vamos em busca do nosso ideal, que é viver e ser feliz. Que o trabalho seja o meio pelo qual produzimos o nosso sustento, e não uma arma de opressão que nos tira tudo: o tempo, a esperança, a mão de obra mal remunerada, que nos destrói por completo para que possamos produzir e gerar a riqueza alheia.

    O mundo precisa buscar a justiça social e a solidariedade entre as pessoas. Não existirá paz mundial enquanto houver uma pessoa sem direitos, com seus direitos básicos sendo violados a todo momento. 

    Precisamos nos livrar da dinâmica vigente que nos faz explorar uns aos outros e que nos trouxe a toda essa carnificina. Tenho a triste impressão de que só pioramos, quando deveríamos estar muito melhor em todos os aspectos humanos e tecnológicos. É preciso superar as nossas diferenças e o nosso egoísmo contundente se quisermos ir a algum lugar melhor.

    Carlos de Campos

    Foto por Aman Jakhar em Pexels.com
  • O momento nos pede união e amor



    O momento nos pede união e amor

    Em momentos difíceis como este,
    estar próximo de quem amamos é o ideal
    e se faz necessário para a nossa saúde mental.
    Ninguém vence a guerra sozinho.

    Estar junto é indispensável.
    Sentir-se parte da comunidade
    é importante para o desenvolvimento humano:
    poder olhar para o lado e se sentir seguro, apesar das lutas.

    Em momentos difíceis,
    estar no aconchego do amor
    faz toda a diferença.
    O amor é bálsamo.

    É a cura do coração machucado,
    da vida cansada.
    É o descanso seguro,
    é o amor curando no acolhimento.

    Homem e mulher, busquem se apoiar,
    decidam-se pelo amor,
    inspirem-se mutuamente.
    Deixem o contágio da mentira longe do relacionamento.

    Nos momentos de dificuldade,
    pede-se lucidez das partes,
    coragem para percorrer o caminho
    que nos leva ao amor e à unidade.

    Carlos de Campos
    Foto por Marcelo Renda em Pexels.com
  • Me permita adentrar em tua vida



    Me permita adentrar em tua vida

    Se sua vida anda chata demais,
    e por isso você anda triste,
    é como sempre digo:
    fica com a gente!

    São nos momentos de dificuldade
    que encontramos as melhores amizades.
    Por isso, este poema foi escrito
    para ser o seu melhor amigo.

    Ir ao coração,
    cada vez mais,
    é o que mais desejo —
    com o seu consentimento.

    Entrar em teu castelo interior,
    beijar a tua testa
    e, com um forte abraço,
    amá-la como nunca sentiu antes.

    E com esse abraço forte,
    poder trazer a sua felicidade de volta,
    permanecer em seu castelo
    até que você volte a ficar bem novamente.

    Fortalecer os nossos laços,
    a nossa amizade,
    para que a terra do nosso interior
    volte a ser adubada pelo amor e pela confiança.

    Carlos de Campos
    Foto por artawkrn em Pexels.com