Sua mão perdida em minha perna. Meu silêncio denuncia o medo. O que fazer? Pergunto-me. No silêncio, perco-me dentro de mim, na angustiante dúvida de denunciar. Já não estou mais lá.
Durante toda a noite, fiquei acordada. Fazer o que sobre isso? Me calar? Denunciar? Há tantas perguntas, onde só deveria existir uma certeza: que não fosse a certeza da impunidade. Sinto-me confusa, estranhamente lúcida, pela certeza que tenho de que me calar é o melhor caminho. O medo só aumenta à medida que o dia se aproxima. Não me sinto bem. Minha voz desapareceu. Ainda sinto sua mão suja em mim.
A cidade se movimenta. Deitada e com calafrios, me encontro. Distante da realidade, tento me projetar. Projeto-me para tão longe que não quero mais voltar. Voltar significa me acovardar. Na penumbra dos meus pensamentos, me escondo.
Impunidade
- Impunidade!
Gritou a voz cansada
O corpo exausto
Com medo.
Solidão...
Perdido em seu esconderijo
No auge da loucura
Gritou a voz descontente.
- Impunidade!
Conflitos com gente “grande”
- Cadeia! Gritou a voz da consciência.
- Já é tarde!
Gritou a voz consistente
Impunidade, nunca mais!
Carlos de Campos
Impunidade
Todos os dias observamos injustiça
Diversas atrocidades
Que nos assolam sem dó e nem piedade
Reina a impunidade.
Todos os dias observamos injustiça
Dia após dia sem parar
Injustiça é o pão nosso de cada dia
Impunidade é o norte da felicidade.
O amor jamais florescerá
A vida deixará de existir
Se a impunidade seguir.
É preciso estar vigilante
Atento aos movimentos injustos
É preciso de mudança pessoal.
Carlos de Campos