Tag: sonho

  • Um acordo um tanto inusitado

    No inusitado instante perdido
    Me vejo na contramão
    Na mão de um beijo perfeito
    O beijo roubado.

    Estou vendo tua cara lavada
    Cara que interroga
    No abismo de uma verdade
    Crua do destino.

    O que sonho além do sonho?
    De uma sombra sobre quem sou
    Capaz de ver além dos sentidos
    Que sonha sob a sombra ferida.

    Não é passado do presente
    Muito menos o presente do futuro
    É simplesmente o instante
    Capturado pela sombra do sonho do momento.

    O que instaurou em minha lógica?
    Na lógica que dispersou em fragmentos
    Que me faz sonhar, sonhos tão distantes
    Resta-me entender quem sou eu.

    O que sonhar de agora em diante
    Que desfaz toda a sombra que há por trás
    Sombra de um dia ensolarado
    O que é e como é.

    Carlos de Campos

  • Livro 6: O despertar da noite (poema 02/60) Acordar é estar cego para a realidade

    Livro 6: O despertar da noite (poema 02/60)

    Acordar é estar cego para a realidade

    Em um belo dia
    A natureza estava radiante
    Tudo é mais intenso do que o normal
    Do sabor, da cor e do sexo.

    É um dia caprichosamente melhor do que foi ontem
    Ouço a quilômetros de distância o rio brincando em seu leito
    Ouço os pássaros cantando em uma linda sinfonia
    E observo uma mãe amamentando a sua cria.

    Enquanto a solidão me abraça

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    Que esse dia se estenda pelos séculos
    São dias como esse que valem a pena contemplar
    Dia em que a eternidade resolveu se manifestar
    Sou esse anjo de luz a vibrar.

    O enigma celestial a nos envolver de paz
    Sou eu compactado plenamente nas entranhas de Deus
    Capricórnio no jardim do Éden
    Quem sou eu além de um magnífico querubim?

    Os meus dias de glória vão se acabando
    E com eles vou me acordando

    Voltando a ser mais um mortal
    Tendo que abrir os olhos para a dura realidade.

    Durmo no colo das deusas
    Acordo compactuando com o capeta
    Beijo os lábios mais doces que o mel
    Para deitar-me com os “escrupulosos”.

    Carlos de Campos
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