Livro 6: O despertar da noite (poema 02/60) Acordar é estar cego para a realidade

Livro 6: O despertar da noite (poema 02/60)

Acordar é estar cego para a realidade

Em um belo dia
A natureza estava radiante
Tudo é mais intenso do que o normal
Do sabor, da cor e do sexo.

É um dia caprichosamente melhor do que foi ontem
Ouço a quilômetros de distância o rio brincando em seu leito
Ouço os pássaros cantando em uma linda sinfonia
E observo uma mãe amamentando a sua cria.

Enquanto a solidão me abraça

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Que esse dia se estenda pelos séculos
São dias como esse que valem a pena contemplar
Dia em que a eternidade resolveu se manifestar
Sou esse anjo de luz a vibrar.

O enigma celestial a nos envolver de paz
Sou eu compactado plenamente nas entranhas de Deus
Capricórnio no jardim do Éden
Quem sou eu além de um magnífico querubim?

Os meus dias de glória vão se acabando
E com eles vou me acordando

Voltando a ser mais um mortal
Tendo que abrir os olhos para a dura realidade.

Durmo no colo das deusas
Acordo compactuando com o capeta
Beijo os lábios mais doces que o mel
Para deitar-me com os “escrupulosos”.

Carlos de Campos

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