Em um belo dia A natureza estava radiante Tudo é mais intenso do que o normal Do sabor, da cor e do sexo.
É um dia caprichosamente melhor do que foi ontem Ouço a quilômetros de distância o rio brincando em seu leito Ouço os pássaros cantando em uma linda sinfonia E observo uma mãe amamentando a sua cria.
Que esse dia se estenda pelos séculos São dias como esse que valem a pena contemplar Dia em que a eternidade resolveu se manifestar Sou esse anjo de luz a vibrar.
O enigma celestial a nos envolver de paz Sou eu compactado plenamente nas entranhas de Deus Capricórnio no jardim do Éden Quem sou eu além de um magnífico querubim?
Os meus dias de glória vão se acabando E com eles vou me acordando
Voltando a ser mais um mortal Tendo que abrir os olhos para a dura realidade.
Durmo no colo das deusas Acordo compactuando com o capeta Beijo os lábios mais doces que o mel Para deitar-me com os “escrupulosos”.
Há opressão na maneira como as pessoas se impõem umas sobre as outras, e isso é o que mais impacta nossa saúde mental. Estar sempre pronto e disposto a ser feliz a todo instante é uma das expressões... Não sei se esse é o melhor caminho.
O que buscamos é, de modo geral, impossível. Nem todas as pessoas têm essa mesma disposição. É um jeito de ser impositivo que mais oprime do que liberta a pessoa — até mesmo porque, segundo nossa concepção, a liberdade está justamente em ser quem se quer ser neste momento.
O que se pode esperar de uma pessoa forçada a ser quem ela não é? Que sente a emoção em outra frequência? Deus? Quem é esse ser tão distante da nossa realidade? Não seria Deus o capataz da moralidade falida?
O que mais me entristece é saber que tudo está como era antes, e que o que simplesmente mudou foi o acréscimo de maquiagem. Não tenhamos a ilusão de que, um dia, tudo isso possa mudar. A energia mental que prevalece sobre o mundo — e sobre as nossas cabeças — é uma energia profundamente opressora.
O mundo é um ambiente hostil para nós, meros seres humanos. É um lugar que provoca nossa mentalidade selvagem. O que podemos esperar de pessoas sob o domínio do que há de mais animalesco em si? Temos escolhas?
Me pego pensando: a felicidade existe? Será que não convencionamos certas atitudes como sendo aquelas mais próximas de uma demonstração de felicidade? A felicidade que dizemos sentir é uma felicidade genuína? Quem é feliz, de fato? É preciso ser ou ter algum tipo de poder que valide a felicidade que ocasionalmente sentimos?
Carlos de Campos
Convido você a ler, refletir comigo e compartilhar sua visão. Vamos juntos transformar a dúvida em consciência.
Indo para São Paulo, me deparei com você, toda a beleza encarnada em uma só pessoa, em um só lugar, em uma só personalidade. Tudo o que eu conseguia fazer era ficar ali, admirando. Naquele ônibus, tudo passou a ser mágico.
João era um amigo muito próximo. Ao perceber que toda a minha concentração estava naquela mulher, João me cutucou e sugeriu:
Vai só ficar olhando ou vai se levantar para falar com ela?
Não sei por que, mas me faltava coragem.
Daqui a pouco eu vou – respondi a João, sem tirar os olhos dela.
Pensava no que falar, como me comportar e como poderia disfarçar minha timidez quando fosse falar com ela. A timidez tinha tomado conta de todo o meu ser naquela altura. Não queria ser mal interpretado.
Tudo naquele momento me parecia difícil de executar. Não entendia o porquê, mas só me sentia inferior diante dela, diante da beleza que a personificava. Por que a considerei bela demais para mim? Como eu poderia ter evitado essa conclusão?
Quando resolvi me levantar para ir até ela, meu despertador começou a tocar. Precisei, então, me levantar para ir trabalhar.
No final das contas, a minha vida, a minha realidade é essa: durante o dia, trabalhar tanto que sou incapaz de identificar o rosto de alguém; à noite, o que me resta a fazer é sonhar e, no sonho, desejar ver, tocar, sentir o belo que existe para ser vivido e que não consigo.