A busca pelo sentido
Pendurada atrás da porta do quarto, estava a chave do carro. Sem luz, eu tateava pelos quatro cantos da casa, com o firme propósito de que, em algum momento, eu conseguiria localizá-la. A noite se estendia pela madrugada fria. Acordado, eu continuava vagando. Embora a casa sendo imensa, continuei procurando pela bendita chave do carro.
Fico pensando… o que me levava a continuar procurando aquela chave em plena madrugada ? Além de tudo, sem energia elétrica ? A ansiedade era o motivo que me fazia querer viver essa aventura ? Procurar por algo com tanta urgência e, nem ao menos entender essa necessidade que, sem dúvidas, poderia aguardar o nascer do dia seguinte. Poderia a tal chave ser um simbolismo do meu inconsciente, denunciando como a minha vida anda sem graça ? Confusa ! Cheia de arbitrariedades ? Uma vida repleta de insignificâncias ? Contundente em faltar com a verdade que a tudo harmoniza ? O fato é que, sou fã em buscar caminhos errados, em fazer escolhas equivocadas.
Tudo perde o sentido. Tudo se insinua de maneira tenebrosa. Vozes cheias de rancores vão se revelando. O medo, com seu semblante espantoso e amargurado, sabotando as oportunidades apresentadas pela vida.
O que preciso, é continuar a procurar. Procurar, mesmo com a escuridão que me é imposta nas madrugadas da vida. Procurar por uma chave que me abra as portas necessárias. Quem sabe, as portas da sabedoria, do entendimento, ou, da esperança de que, tudo isso, algum dia, faça algum sentido.
Carlos de Campos
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