Categoria: Carlos de Campos

  • Mães e pais

    Mães e pais

    Imediatamente, toda a família se vê
    imbuída do impulso da raiva.
    De domingo a domingo,
    não existe um dia sequer
    em que não estejam dispostos a brigar.
    Pais perdidos…
    em um mundo tecnologicamente caótico,
    filhos desgovernados.

    Estrada sem saída…
    É assim que se descortinam muitas famílias.
    A distância entre pais e filhos só aumenta,
    legado de um relacionamento superficial,
    futuro sem perspectiva de união.

    Tudo que começa mal termina mal.
    Relacionar-se com o filho precisa ser com equilíbrio.
    O seu filho não é você…
    e você precisa compreender:
    a educação oferecida precisa estar no contexto da vida do seu filho.

    O que você jamais pode fazer?
    Não busque as suas experiências do passado,
    mesmo que sejam positivas.
    Elas são suas — e já são passadas.
    Fazer isso só reforça tudo o que seu filho não precisa:
    ser um reflexo embaçado do que você não foi nesta vida.
    É fundamental que o contexto seja a vida do seu filho.
    Equilíbrio no educar me parece a palavra-chave.

    Enquanto estiverem educando os seus filhos,
    aprendam que a educação é uma via de mão dupla.
    Eduquem-se para educar o outro.
    Desfaça-se dos seus dramas pessoais com um psicólogo.
    O seu filho precisa ser educado para experimentar a vida dele —
    e não a sua…
    Ser íntimo do seu filho é transmitir a ele
    que você é uma pessoa de total confiança.

    Ensine o seu filho a navegar em mares revoltosos.
    Não o deixe morrer afogado nas próprias angústias.
    Não sejam pais apenas enquanto os filhos são menores.
    Ser pai, ser mãe, é missão impossível:
    missão para toda a sua vida.
    E nada disso é garantia da felicidade do seu filho.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Além dos sentidos

    Além dos sentidos

    Não vem.
    O que é normal
    é assustador, mas é normal.
    Imita ser, mas não é.
    Quem você pensa que é?

    É ilusão desejar o que você deseja,
    sentir o que você sente.
    É inegável.
    Você sente e vê.
    E o que você sente e vê?
    E o que você sente?
    Vê o que sente?
    O que os outros captam,
    mesmo estando com você?
    Lógica do ilógico.
    O que sinto e vejo
    são coisas absolutamente distintas.

    Vê!
    Existe a realidade,
    só que não é como acreditamos.
    Diferente?
    Como explicar algo que estamos experimentando
    e que, mesmo explicando, não acreditamos?
    O que vemos e sentimos está em nós
    e, ao mesmo tempo, está além.
    O que está além, nós enxergamos e sentimos,
    só não compreendemos.

    Carlos de Campos
    Foto por Suzy Hazelwood em Pexels.com