Categoria: O verso humano ferido por trás do crachá

O verso humano ferido por trás do crachá

Um livro de poesia de Carlos de Campos sobre o ser humano que existe por trás do trabalhador.

Entre o tempo vendido, o salário, a precarização, a exploração, o cansaço, a desigualdade e os sonhos de transformação, cada poema procura revelar aquilo que muitas vezes desaparece quando uma pessoa passa a ser vista apenas como funcionário.

Por trás de cada crachá existe uma história. Existe um corpo. Existe uma vida. Existem sonhos, medos, necessidades e desejos que não cabem em uma função profissional.

Este livro nasce poema após poema e acompanha as contradições do trabalho contemporâneo: a necessidade de sobreviver, o desgaste provocado pela jornada, a perda de tempo de vida, a busca por dignidade e a possibilidade de transformar a experiência individual em consciência coletiva.

Uma poesia social, humana e contemporânea sobre trabalho, capitalismo, desigualdade, precarização, classe trabalhadora e a luta por uma vida em que trabalhar não signifique deixar a própria humanidade para trás.

Livro: O verso humano ferido por trás do crachá
Autor: Carlos de Campos
Acompanhe a construção da obra, poema após poema.

  • Predomínio de um delinquente

    Predomínio de um delinquente

    Carregam o meu direito de existir
    Insuflando em meu ouvido
    Orgias pagas com o dinheiro do contribuinte
    Que, lesado, continua sendo vitimizado.

    Sua orgia me desinforma
    Transformada em corja
    Que me cega da realidade
    Contaminando o meu sangue com o veneno da maldade.

    Um estrago acontece em minha alma
    Uma alma vidente
    Que vê as evidências
    Contidas em uma palha seca.

    Seca pela boca seca
    Que seca os nossos recursos vitais
    São vidas voltando para trás
    Vidas impregnadas pelo ódio visceral.

    O que se ouve é um canto sedutor
    Canto que encanta o ouvido de muita gente
    Que deteriora o cérebro dos desavisados
    Que ouvem o canto sedutor master.

    Ouve o canto da perversidade
    Que te abraça por detrás
    Para que seja mais fácil te sufocar
    Esse é o canto que os magnatas não querem te falar.

    Carlos de Campos

  • Nos braços de minha decepção

    Nos braços de minha decepção

    Os abraços são intensos
    São abraços interesseiros
    Traiçoeiros
    São abraços de desafetos
    Que nos abraçam sem o menor pudor
    Te abraça enquanto te fode.

    Carlos de Campos