Categoria: Poesia

Poemas atemporais que exploram a fragilidade e a força do ciclo da vida.

  • Quem te ouve além dos dedos?


    Quem te ouve além dos dedos?

    Mostre o dedo
    Quando o destino tentar te ferrar,
    Quando o sonho atrasado te fizer esperar.
    Sem culpa, mande se danar.

    Toda a sanidade em pleno equilíbrio entrará.
    Para o nirvana a tua alma será levada.
    Em paz você se encontrará.
    Mostre o dedo.

    Se uma palavra grosseira você ouvir,
    Sem receio, mostre o dedo.
    Silêncio solene.
    Um dedo é mais poderoso que mil palavras.

    Um dedo é remédio para a alma,
    Para as relações saudáveis se sustentarem.
    Reveja o seu comportamento
    E libere o dedo para os hipócritas.

    Um dedo te mostra o caminho certo.
    Um dedo te afasta das pessoas falsas.
    Duvide de quem melindra do seu dedo.
    Mostre o dedo com toda a sua indignação.

    Mostre o dedo como se fosse a mais bela canção.
    O dedo do meio é tua salvação.
    Tudo está um lixo.
    Mostrar o dedo se tornou um luxo.

    Carlos de Campos
    Foto por Aleksandr Burzinskij em Pexels.com
  • Leveza é encontrar-se com a morte e viver


    Leveza é encontrar-se com a morte e viver

    Porque adeus,
    se até logo já bastaria,
    quando nada acaba,
    estando triste.

    Uma jornada é uma jornada.
    Um dia de tristeza é um dia a menos.
    É a solidão de um mar,
    um dia ensolarado parcialmente encoberto.

    Felicidade acabada,
    o sustento da dor,
    tendo a alma atravessada,
    bem devagarinho.

    Morrer aos poucos,
    lenta e dolorosamente,
    é a vida quem nos impõe
    diante do medo.

    Levanto-me da minha lama existencial,
    chorando qual uma criança recém-nascida,
    cego por tanta luminosidade,
    tentando simplesmente me ambientar.

    Uns dias depois do meu novo nascimento,
    busco encontrar forças para me sustentar,
    para seguir onde quer que seja,
    com um sorriso em meu rosto.

    Carlos de Campos
    Foto por Matheus Albuquerque em Pexels.com