Categoria: memoria e poesia

  • De noite a solidão me acolhe


    De noite a solidão me acolhe

    Minha solidão é intensa,
    cheia de atritos internos.
    Na mais intensa noite escura,
    no anoitecer que nunca termina.

    Noite fria, apesar do calor,
    noite tenebrosa.
    Assustadora é essa noite sem fim,
    noite de uma solidão intensa.

    Os dias que se tornaram noites
    me orientam nessa jornada.
    Tateando, eu prossigo.
    Insisto.

    No caminhar, me guio pela persistência.
    A resistência é minha fortaleza.
    O desejo de continuar só aumenta:
    é o caminho dos vitoriosos.

    Que o nosso mundo se ilumine,
    nos oriente para irmos além —
    não distante —
    caminhe.

    No anoitecer, por mais escuro que esteja,
    há esperança de que voltará a amanhecer,
    que a solidão dará lugar à confraternização
    e que a paz interior prevalecerá.

    Carlos de Campos
    Foto por Lukas Rodriguez em Pexels.com
  • Deuses em justa ação


    Deuses em justa ação

    É um Deus entre deuses,
    Tantas diversidades de cultuá-lo,
    Entre tantos deuses, juiz como eu.

    Quanto a cada um,
    Um só é o seu juiz;
    É sua devida toda a glória.

    Um dia estava meditando
    Quando fui absorvido por uma profunda comoção.
    Palavras divinas pairavam sobre a minha cabeça.

    Era uma voz feminina,
    Rompendo o meu mundo interior,
    De uma só vez acolhedora.

    Voz suave que me guia:
    Destino…
    Não há por que parar.

    Lugar em que as deusas fazem festa,
    A festa da libertação,
    Em que os deuses e homens se unem para se confraternizarem.

    No auge desse êxtase,
    Uma das deusas veio até mim;
    Tocando em meus lábios, tudo desapareceu.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com