Categoria: memoria e poesia

  • Nada é como antes

    Nada é como antes

    Não bem.
    Orgasmo mental,
    desejo incontrolável
    de olho.

    Em nada vejo,
    nada sinto,
    nada sei.
    Orgasmo mental.

    O instinto se rebela
    na contradição de uma vida
    desajustada, ferida —
    promessa de vazio.

    Instinto que se rebela
    no esconderijo da ferida
    de uma vida promíscua.
    Em nada me vejo.

    Orgasmo mental.
    Dê-me as suas entranhas
    para que eu revele a sua inocência
    de uma vida machucada.

    Cabe a você, meu bem,
    me impedir
    e opor-se, em meu ouvido,
    às loucuras de uma mente desequilibrada.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Jogos da Negação

    Jogos da Negação

    A sua intimidade está exposta
    no vai e vem da vida,
    no ser contido em tua alma.
    Exposta está a tua alma.

    Delírios acidentais,
    ácidos estonteantes,
    regado a dopamina.
    Exposta está a alma.

    E que vida é essa que levamos,
    quando viver é o que não buscamos?
    É a vida passando diante dos olhos —
    overdose dos sentidos.

    Não existe outra chance:
    é a vida que vai passando,
    é o tempo encurtando.
    Exposta está a alma.

    Nossa consciência se esvai,
    se petrifica.
    Exposta está nossa alma:
    alma manipulada pelo jogo da vida.

    É o tempo terminando,
    é a vida definhando,
    problemas acumulando...
    e, sozinho, me encontro reclamando.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com