Categoria: memoria e poesia

  • Livro 6: O Despertar da Noite (Poema 01/60) Nós descemos em um mundo sem fim

    Livro 6: O Despertar da Noite (Poema 01/60)

    Nós descemos em um mundo sem fim

    Vi o solo debaixo dos meus pés se partir.
    Fui engolido por esse enorme buraco.
    O que me esperava no fim disso tudo?
    O buraco era profundo.

    O medo tomava conta de todo o meu ser.
    Meu passado, presente e futuro passavam como um filme.
    Tudo era tão demorado e instantâneo ao mesmo tempo.
    Eu vi e me vi.

    Enquanto a solidão me abraça

    Não fique só nas palavras: leve para casa Enquanto a solidão me abraça e tenha um amigo fiel nas suas noites mais difíceis. Compre aqui.

    Coração acelerado em meu peito.
    Fuligens de personagens macabros me rodeavam.
    O infinito me tomava pela mão.
    Meus olhos contemplavam o mistério.

    O mistério escondido em cada ser humano.
    O medo, o medo me atormentava o tempo inteiro.
    Sou o acaso,
    gritavam aquelas fuligens macabras.

    Meu corpo é mais que um cadáver.
    Minha existência é maior que as mesquinharias.
    Sou o Deus encarnado em cada mulher e em cada homem.
    Sou o nascimento de tudo o que não existe.

    O princípio dentro de você.
    Não existe nada maior do que eu.
    Eu e você somos um.
    Os meus pensamentos são os teus pensamentos.

    Carlos de Campos
  • Livro 15: O Menino do Caos (Prosa 01/60) O destino está lançado

    Livro 15: O Menino do Caos (Prosa 01/60)
    O destino está lançado

    O destino do homem está lançado. Não há mais nada que se possa fazer. Tudo entrou em erupção. Entramos em turbulência com apenas um motor funcionando.
    O que não devemos fazer neste momento? Não devemos tratar o aquecimento global com desprezo. A cada omissão, a cada mentira que continuarmos a reproduzir, com mais força sofreremos o castigo.

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    Em noites de solidão, estarei aqui

    Insistir em não reconhecer o problema é obstaculizar nossa única chance de fazer com que os prejuízos fiquem apenas no âmbito material e não avancem para uma tragédia ainda maior, comprometendo a vida das pessoas.
    Durante todos esses longos anos, procuramos não olhar para o problema e até fingimos que tudo não passava de um blefe científico. Chegou a hora de pagar à natureza a conta de nossos desmandos e maus-tratos. Não temos mais como adiar esse encontro terrível, em que, de um lado, está a fragilidade humana, aprisionada em um ego inchado, e, do outro, uma natureza que, por séculos, foi amigável, mas que agora está fora de controle. Com força total, teremos de experimentar o seu poder.

    O que fizemos com a natureza? Será que valeu a pena, diante de tudo o que nos espera? O que, de fato, dependia de nós? Quem é, de fato, o culpado por o clima estar assim?
    O que podemos fazer agora para, pelo menos, amenizar os danos colaterais? Precisamos, acima de tudo, unir-nos em torno da causa ambiental, mais do que nunca.

    Carlos de Campos

  • Estádio lotado

    Estádio  lotado

    O apito recebe o estímulo vital
    Tudo é paradoxal:
    O tempo para quando o jogo começa.

    Carlos de Campos

    Foto por Mikkel Kvist em Pexels.com
  • Caminho Selado

    Caminho Selado

    Novos dias chegaram,
    frutos brotam em abundância:
    não nos querem prosperando.

    Carlos de Campos

  • Não existe anistia para quem atenta contra a democracia

    Não existe anistia para quem atenta contra a democracia

    O que está acontecendo com a gente?
    Nós nos perdemos pelo caminho,
    Nos orientamos por nossos desejos mesquinhos.
    O que aconteceu com a gente?

    Carlos de Campos
    Foto por Steve A Johnson em Pexels.com
  • Livro 3: O Tempo e a Rotina (Poema 01/20) Não estamos imunes ao tempo

    Livro 3: O Tempo e a Rotina (Poema 01/20)

    Não estamos imunes ao tempo

    Um dia desses, eu vi o tempo passar.
    Passou com o passado,
    Passou na companhia do presente,
    Passou e permaneceu com o futuro.


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    No tempo que resta,
    A fresta se abriu.
    Observei o tempo,
    Que dormia tranquilo.

    O que é o tempo?
    É a corrida contra o tempo,
    É o nosso contratempo,
    O tempo é o instante que nunca foi.

    Nunca foi sentido,
    Nunca foi buscado.
    O tempo sempre foi temido,
    Sempre foi o nosso maior inimigo.

    Vem o ditador de nossas vidas,
    O contador de nossa existência,
    O medo que nos apavora
    E que nos mostra o limite da nossa história.

    O tempo desgastado,
    O amuleto parado,
    A fé do tempo que partiu,
    Sem se despedir, sumiu.

    Carlos de Campos
  • Livro 9: A Profecia (Poema 01/20) No princípio o nada já existia

    Livro 9: A Profecia (Poema 01/20)

    No princípio o nada já existia

    Tudo já existia em forma de caos.
    O caos era sem forma e sem sentido.
    O caos apenas existia,
    e, junto com o caos, existia a vida organizada.

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    O caos e a vida coexistiam.
    A vida se fortalecia em meio ao caos.
    O caos se intensificava na medida em que a vida existia.
    Caos e vida: um depende do outro.

    Tudo o que existe hoje vem do caos.
    Está vivendo em pleno caos
    e para o caos voltará.
    Somos a plenitude do caos.

    De cada sensação de equilíbrio,
    o caos vai se movimentando e existindo.
    O caos é a força causal da vida.
    É o poder central do que vemos e somos.

    O caos é o nosso criador.
    É quem gera a nossa energia vital.
    O caos é o elemento primordial de tudo o que existe.
    Existir é ser caos.

    É por isso que não existe a perfeição,
    apenas o aceitável.
    Tudo, neste exato momento, está fervilhando na essência do caos,
    até este poema que você lê é feito de caos.

    Carlos de Campos
  • Livro 8: O Dado e o Divino (Poema 01/20) Mostra as câmaras secretas

    Livro 8: O Dado e o Divino (Poema 01/20)

    Mostra as câmaras secretas

    Secretamente me encontro
    No mais profundo do seu inconsciente,
    Sem luz,
    Sem água.

    Alimentando-me, dia e noite, dos seus pensamentos,
    Especialmente dos seus pensamentos mais arraigados.
    Sou um devorador de almas,
    Retiro tudo o que você é.

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    No lugar secreto e mais sombrio da sua alma,
    Eu percorro o dia inteiro.
    Esse lugar é meu,
    É o meu doce arco de safadezas.

    Sou quem pensa o mal em você,
    Sou você o tempo inteiro.
    Sou os seus pensamentos mais obscuros,
    Sou sua divina orgia.

    Sou o canto sedutor que sai da sua boca,
    Que busca se satisfazer a todo tempo.
    Sou o que você faz escondido,
    Sou a verdade jogada na sua cara.

    Sou quem você mais acusa,
    Sou a sua companheira: a hipocrisia.
    Sou o seu melhor amigo,
    Que hoje lhe recomenda: seja verdadeiro.

    Carlos de Campos


  • Livro 14: Rio Tietê (Poema 01/60) Não existe escolha fácil nesta vida

    ivro 14: Rio Tietê (Poema 01/60)

    Não existe escolha fácil nesta vida

    Toda escolha exigirá de nós renúncia,
    e toda renúncia vem carregada de sofrimento.
    Sofrimento.
    Palavra forte, carregada de sentimento.

    Só pode sentir que está sofrendo quem tem sentimento,
    quem um dia se colocou no lugar do outro,
    quem rasgou o próprio peito para alimentar o outro com compaixão,
    quem, a exemplo do Rio Tietê, soube ser.

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    Só quem sente na própria carne este mistério de amor
    sabe que o sofrimento vem carregado de sentimento.
    Quem de nós foi educado para acolher o sofrimento?
    Fugimos desse momento
    como se isso fosse possível.

    O sofrimento é, de fato, algo difícil de aceitar,
    e se torna ainda mais difícil quando decidimos fugir.
    O Rio Tietê nos ensina
    que todo sofrimento passa
    e que nossa doação se multiplica.

    Em seu nascimento, o Rio Tietê teve um destino imposto:
    seguir o instinto natural
    e ser apenas um breve caminho rumo ao mar,
    ou rebelar-se contra todo o sistema natural
    e tornar-se um dos raros rios do mundo
    a “correr de costas”.

    O Rio Tietê sabia que teria que arcar com todo o sofrimento.
    E, com resiliência, o rio rasgou o próprio peito
    e foi se adaptando à sua nova morada,
    reunindo em torno de si famílias
    que, até hoje, se alimentam
    das águas que brotam de sua nascente de amor.

    Carlos de Campos

  • Nosso destino em queda

    Nosso destino em queda

    Olhe esta geração da vingança.
    Leia os sinais que vêm do mundo.
    Mostre os delírios.
    Assusta-me saber que acham normal
    ver os delírios.
    Observe: nada disso é normal.

    Carlos de Campos