Categoria: mensagem com poesia

  • Em seu peito pulsa essa minha dor

    
    
    
    
    
    Em seu peito pulsa essa minha dor

    Rasgo, em meu peito, essa flor,
    dor desse espinho cravado,
    pus da inflamação
    de um ódio cultivado no cotidiano.

    Ódio sem precedente,
    que machuca o meu peito febril.
    É insuportável, e eu preciso agir,
    e a violência acaba sendo o meu refúgio.

    Que a violência não é remédio, eu sei.
    Sei que essa dor é insustentável,
    que essa pressão me enlouquece,
    me distanciando da minha sanidade mental.

    Não tenho ninguém por mim.
    Tudo leva a duvidar do meu caráter.
    Não olham para o meu peito sangrando,
    nem para esse corpo em estado febril.

    Sucumbirei a qualquer momento
    nesse abraço apaixonado
    que transfere para o seu peito o meu espinho de dor.
    Teu beijo acolhedor desinflama a minha alma.

    Um dia te amarei com esse mesmo amor,
    um amor que doa vida,
    um amor que promove a cura física.
    Um dia irei te amar tanto assim.

    Carlos de Campos
    Foto por u0412u0430u043bu0435u0440u0438u044f u0428u043au043eu0434u0430 em Pexels.com
  • De noite a solidão me acolhe


    De noite a solidão me acolhe

    Minha solidão é intensa,
    cheia de atritos internos.
    Na mais intensa noite escura,
    no anoitecer que nunca termina.

    Noite fria, apesar do calor,
    noite tenebrosa.
    Assustadora é essa noite sem fim,
    noite de uma solidão intensa.

    Os dias que se tornaram noites
    me orientam nessa jornada.
    Tateando, eu prossigo.
    Insisto.

    No caminhar, me guio pela persistência.
    A resistência é minha fortaleza.
    O desejo de continuar só aumenta:
    é o caminho dos vitoriosos.

    Que o nosso mundo se ilumine,
    nos oriente para irmos além —
    não distante —
    caminhe.

    No anoitecer, por mais escuro que esteja,
    há esperança de que voltará a amanhecer,
    que a solidão dará lugar à confraternização
    e que a paz interior prevalecerá.

    Carlos de Campos
    Foto por Lukas Rodriguez em Pexels.com
  • Deuses em justa ação


    Deuses em justa ação

    É um Deus entre deuses,
    Tantas diversidades de cultuá-lo,
    Entre tantos deuses, juiz como eu.

    Quanto a cada um,
    Um só é o seu juiz;
    É sua devida toda a glória.

    Um dia estava meditando
    Quando fui absorvido por uma profunda comoção.
    Palavras divinas pairavam sobre a minha cabeça.

    Era uma voz feminina,
    Rompendo o meu mundo interior,
    De uma só vez acolhedora.

    Voz suave que me guia:
    Destino…
    Não há por que parar.

    Lugar em que as deusas fazem festa,
    A festa da libertação,
    Em que os deuses e homens se unem para se confraternizarem.

    No auge desse êxtase,
    Uma das deusas veio até mim;
    Tocando em meus lábios, tudo desapareceu.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Um indigente da escrita


    Um indigente da escrita

    Reintegrado ao mundo,
    um mundo de sonhos,
    de ilusão permanente.

    O que sou é insignificante
    quando vejo o que eu poderia ser
    descalço.

    O que sou sem os meus sapatos?
    Sem a profundidade de sua beleza?
    Quem sou eu?

    Sou um que compartilha
    ideais de uma multidão,
    um décimo do que nunca serei.

    Um indigente de um mundo sombrio,
    um idealizador enclausurado,
    uma vítima sem causa.

    Carlos de Campos
    Foto por Hu00f2a Lu00ea u0110u00ecnh em Pexels.com
  • Olhamos e não fazemos questão de sentir



    Olhamos e não fazemos questão de sentir

    Vê, o mundo anda em frangalhos,
    destituído de sua sensibilidade.
    Vê o horror da guerra,
    dos inocentes…

    Os teus olhos viram,
    tua razão disfarçou,
    tua insensibilidade atracou,
    a tua inocência foi gravemente ferida.

    O meu mundo anda muito conturbado,
    dizem uns aqui, outros ali,
    e continuamos a jogar mais lenha na fogueira.

    O meu sentido se esconde,
    não dando a chance de se reconciliar,
    perdendo mais uma oportunidade de nos curarmos.

    Carlos de Campos

    Foto por Nikhil Manan em Pexels.com
  • Coletânea Poemas para acalmar o homem que habita em mim



    Coletânea Poemas para acalmar o homem que habita em mim

  • O seu amor me acalma



    O seu amor me acalma

    E, no auge, me encontrei com você.
    Tua beleza me inspira,
    me leva a repensar,
    calma que produz alegria.

    Essa calma que você me faz sentir
    é a calma que venho buscando
    dia após dia;
    é essa calma que venho desejando.

    Desde minha adolescência,
    te amei já à primeira vista.
    Amor que foi soterrado pelas preocupações
    que me fizeram perdê-la no caminho.

    Hoje me vejo abatido;
    me encontrar com você,
    depois de tantos anos,
    reacendeu aquele amor verdadeiro.

    Amor que traz essa calmaria,
    que não permite que nada saia do controle,
    porque o amor é equilíbrio certo,
    é a manifestação mais pura da leveza.

    Sou essa calmaria
    quando olho em teus olhos.
    Sou a tranquilidade segura
    quando estou perto de você.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Ouve essa alma apaixonada



    Ouve essa alma apaixonada

    Ouça…
    Tua alma te chama,
    tua guia para todos os dias.
    Ouça e dê ouvido a essa voz.

    Ouça…
    Dê ouvido a quem quer te ajudar.
    Tua guia quer te levar para a paz.
    Ouça e escute.

    Tua corrente sanguínea,
    tua paz há de se instalar.
    Tua corrente sanguínea,
    teu ser há de relaxar.

    Me diga o que você ouve,
    escute o que me diz.
    Diz o que diz
    e sinta a paz a te invadir.

    Corrente sanguínea, fluxo da vida,
    da vida tranquila,
    da vida estável,
    da vida que só quer oferecer vida.

    Fim de toda essa correria,
    aflição dando lugar à razão,
    razão que ouve o conselho da vida.
    Viva com tranquilidade.

    Carlos de Campos
    Foto por Mikhail Nilov em Pexels.com
  • Faz tempo que tudo terminou



    Faz tempo que tudo terminou

    Gostoso é ver você todo dia.
    Conversar com você me faz tão bem.
    É assim que me sinto todos os dias
    quando me encontro com você.

    É bom ter você em minha companhia,
    ver o teu sorriso me acolhendo.
    O dia é bem mais leve,
    e tudo fica mais colorido.

    Um dia eu acordei
    e procurei por você pela casa inteira,
    mas não te encontrei.
    Nem as suas coisas estavam mais lá.

    Para onde você foi?
    Como isso aconteceu?
    Por que você foi embora sem falar comigo?
    Fico aqui sem entender nada.

    Estou aqui te esperando.
    Se eu desistir, o que eu faço?
    O que ainda não entendo é por que você foi embora
    sem dizer uma única palavra.

    Já faz dois anos que você foi embora,
    sem dizer uma única palavra,
    sem esboçar um gesto de insatisfação.
    Faz dois anos que te espero encontrar.

    Carlos de Campos
    Foto por Jasmin Wedding Photography em Pexels.com
  • Dignos da verdade



    Dignos da verdade

    No estandarte do amor
    estão escritas as seguintes palavras:
    não existe glória na covardia,
    no desumano ato de amedrontar.

    É nesse momento
    em que a vida separa
    os homens dignos
    dos ratos covardes.

    E essa é, finalmente,
    a maior glória que alguém pode receber:
    não ser incluído no rol dos ratos,
    dos imundos que habitam o submundo.

    Célebre por ser considerado digno
    de carregar este estandarte,
    digno por dedicar sua vida à transparência,
    digno de caminhar sob o amparo da ética.

    Estandarte dos que lutam por dignidade,
    pela sua e pela dos outros,
    dos que podem dormir com a consciência fria.
    Dignos são todos que assim buscam viver.

    Cante, em uníssono coro,
    o cântico dos mártires,
    dos que derramam todo o seu sangue
    para ser íntegro a todo momento.

    Carlos de Campos
    Foto por Murilo Fonseca em Pexels.com