• Do movimento à calma



    Do movimento à calma

    É movimento, é movimento.
    A alma também se movimenta.
    Fogo incontrolável é movimento,
    movimento devastador e contínuo.

    O movimento deixa marca
    que passa de geração em geração,
    e você pode romper com isso,
    dar mais freio para esse movimento.

    Freie e o deixe parar;
    que esse movimento cesse.
    Sinta, em seu peito, o movimento parado;
    veja o esquecido, empoeirado.

    Invista nessa calmaria,
    na beleza que ganha novas cores,
    no fogo que aquece e não queima,
    na vida que te convida a respirar mais fundo.

    Veja, sinta dentro de você
    a calmaria instalada,
    esse delicioso barulho de água,
    de água correndo livre.

    Que você siga daqui por diante sentindo —
    sentimento, sentindo…
    sentindo tudo dentro de você:
    tranquilidade, cara a cara, surpreendido.

    Carlos de Campos
    Foto por Michael Hamments em Pexels.com
  • Vejo o que esperava ser



    Vejo o que esperava ser

    Mas até quando coisas assim acontecerão?
    Tudo está envolto em uma névoa,
    um destino desafiado.
    São sete horas da manhã.

    É a essência da vida se revelando,
    conduzindo pela mão,
    mão ferida pelo trabalho duro.
    Cansado, apenas desejo seguir.

    Observo o dia que começa,
    que traz a alegria e as contradições.
    Na vida existem riscos,
    perigos escondidos.

    Olhar atento no caminhar
    que se debruça sobre a existência,
    na mera ocasião
    de uma dor que não tem fim.

    Podemos nos sustentar de improviso?
    A vida é um contínuo improviso?
    Existe vida além do trabalho?
    Trabalho: mentira dita por séculos.

    Insisto em continuar a viver,
    porque a vida é nada além de insistir.
    Um dia o amanhã é belo e exuberante;
    no outro, terrível e assustador.

    Carlos de Campos
    Foto por M Mahbub A Alahi em Pexels.com