• Uma viagem no universo de nosso rio



    Uma viagem no universo de nosso rio

    Ponho-me a pensar
    No universo que existe dentro de mim,
    Na imensidão que eu sou.
    O que carrego é maior do que posso compreender.

    O que é esse mundo?
    O que são essas estrelas?
    São desejos latentes
    Colidindo entre si.

    Que movimentos são esses,
    Caindo uma por uma,
    Desprendendo-se das soleiras da alma
    De um universo desconhecido?

    Bom é a companhia
    De seres amigos
    Que brotam das profundezas do meu próprio ser,
    Me encorajando a sempre continuar.

    Dizem, em uma região não acessível,
    Que milagres vêm sendo colhidos o dia inteiro,
    Que, na abóbada universal,
    Correm leite e mel.

    Rio caudaloso que desce a montanha,
    Que refresca o corpo e a mente.
    Tua oposição à sujeira é firme;
    Há beleza nas profundezas desse rio.

    Carlos de Campos
    Foto por Yuting Gao em Pexels.com
  • Dúvidas que pairam no coração e na mente



    Dúvidas que pairam no coração e na mente

    No que devo me apoiar?
    Tudo me parece tão esquisito.
    No que devo recolher a minha atenção?
    Tudo me parece tão desatento.

    Em nada posso confiar.
    Tudo me parece raso demais.
    Estúpido!
    Na profanação desses versos me esqueço.

    O que precisamos entender desta vida?
    O que é profanar os versos inversos?
    Quando chega o ponto em que precisamos rasgar a alma
    e liberar a nossa dignidade?

    O que devo esperar de uma alma libertada?
    Alma que vagueia sem sentido,
    desligada de todas as emoções,
    vagueia assombrada.

    É primavera, as borboletas renascem.
    Conflitos sangram no calor das emoções.
    O silêncio reivindica.
    Tudo se destrói.

    Tudo persiste como um incômodo,
    um inverno em plena primavera.
    É a condição de uma alma presa ao corpo humano,
    humano que profana versos o dia inteiro.

    Carlos de Campos
    Foto por Tima Miroshnichenko em Pexels.com