• Se a vida é feita desses mistérios, que eu seja possuído


    Um poema sobre os mistérios da vida, a entrega emocional e o poder transformador das conexões verdadeiras — onde o tempo se dissolve e só o sentir importa.

    Se a vida é feita desses mistérios, que eu seja possuído

    Não dá para prever quando e como.
    Não dá para sentir e fingir que nada aconteceu.
    A energia corre por nossa pele;
    a pele sente na alma.

    É no silencioso quarto que sou acolhido,
    na peculiaridade de sua presença.
    É onde nós nos encontramos,
    entre afetos e carinho.

    Peço que a vida seja assim:
    intensa e aconchegante,
    reverberadora de emoções positivas.
    É a vida fornecendo mais energia.

    A chuva cai sobre o meu corpo,
    enquanto sinto cada gota me tocando.
    Sinto explosões de emoções —
    suave, forte, intenso.

    Mas é o que desejo neste momento:
    que cada segundo se torne uma eternidade,
    que isso não acabe mais,
    e que o fim não exista aqui.

    O mistério nos toma pela mão.
    Tudo se faz silêncio.
    Tudo acontece pelos olhares —
    é a mais pura revelação.

    Carlos de Campos
    Foto por Aleksandar Pasaric em Pexels.com
  • É certo que nossas almas escaparam?


    Um poema sobre o amor, o tempo e a inevitável perda, revelando a fragilidade humana diante das mudanças e do destino.


    É certo que nossas almas escaparam?

    É vivido o meu amor por você,
    As idas e vindas
    No fluxo desse ocaso
    Que engoliu as nossas lembranças.

    É para deixar a vida seguir o seu percurso,
    Diuturnamente,
    O mundo dorme fingindo que está acordado.
    Tudo muda de sentido.

    O medo assombra o nosso futuro —
    Futuro de incertezas certas,
    Certas de novidades,
    Que dão origem ao novo amanhã.

    É a vida sendo desgastada pela agonia,
    Pela imoralidade dos tempos modernos,
    Que sucumbem em meio às promessas.
    É uma vida devastada pela nossa agonia.

    É a mãe encurralada pelo próprio filho,
    Filho caindo, alvejado pelo destino,
    Destino frio,
    Esvaindo-se — vão-se suas memórias.

    Oh, alegria dos momentos que não passam,
    Oh, pedra preciosa do destino!
    É a vida futura, distante de nós,
    É a sensação gélida da sorte.

    Carlos de Campos
    Foto por Soloman Soh em Pexels.com