• Incertezas

    Incertezas

    Perdão, oh, meu pai,
    difícil é a vida;
    joguei meu futuro no presente incerto.

    Meu Deus, quanta incerteza!
    Destemido é o que sinto;
    sua coragem é surpreendente.

    Instinto distinto,
    enigma do coração,
    desejos que vão.

    Meu filho!
    Sua busca é justa e inevitável;
    são nossos os prazeres do mundo.

    Fingir amor, se tudo é ódio,
    desejos extravagantes,
    almas enclausuradas.

    Cada um tem o seu preço,
    consumidores diuturnamente,
    destino sem futuro.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Da solidão avassaladora à vitória

    Da solidão avassaladora à vitória

    Gosto do cheiro da chuva.
    Daí, me sinto acolhido,
    Livre da solidão —
    Solidão, não sozinho.

    Que solidão é essa?
    E o que devo fazer?
    Da solidão, a tristeza
    Do tempo que passa.

    Ilusão e solidão,
    Sozinho e triste.
    Dia de chuva, sinto o cheiro da terra,
    Cheiro da terra incrustada.

    Luta-se diariamente.
    O confronto é corpo a corpo.
    Em cada luta, uma derrota.
    Luta-se para, quem sabe, um dia vencer.

    Luto porque luto.
    Mesmo derrotado, continuo lutando.
    Luto contra meu pior e mais letal inimigo:
    Luto contra minha própria mente.

    No dia em que a chuva cair
    E os terreiros forem molhados,
    Há de ser o sinal
    De que a minha próxima luta eu vencerei.

    Carlos de Campos
    Foto por Jou00e3o Cabral em Pexels.com