• Sangue escorrendo

    Sangue escorrendo

    Não dá para ter dignidade
    Se não sei o que será de mim amanhã.
    Se vivo em um sistema de incertezas,
    Em um mar de opressão.

    Sangue escorrendo, opressor feliz,
    No fim de uma vida, vivendo de migalhas.
    Quanta sacanagem.
    Só agora sei que não sei.

    Como se libertar dessa máquina de moer gente?
    E deixar de ser um simples burro de carga?
    Preciso me libertar dessa opressão.
    Quanta sacanagem.

    Carlos de Campos
    Foto por Olga Petrova em Pexels.com
  • Som da Alma

    Som da Alma

    Mostre o abismo da solidão
    Fincado na rejeição.
    Não machuque a memória
    No cansaço da negação.

    Mulher, teu cansaço
    Diminui ao longo da vida,
    Impondo diferentes perspectivas,
    Nenhuma igual à outra.

    Mãe que acolhe,
    Filho que abandona.
    Em cada novo nascimento,
    Se mina o relacionamento.

    Muitos relacionamentos findaram,
    Corações sangraram.
    Imutáveis são as consequências;
    O que se pode fazer?

    Na vigilante memória,
    Debruço-me em expectativas,
    Impondo-me a mais nobre resolução.
    Do teu seio, bebo dessa dor.

    Oh, estrela casta!
    De olhar deslumbrante,
    Equilíbrio peculiar ao teu alcance.
    Tens honra que dignifica.

    Carlos de campos
    Foto por PNW Production em Pexels.com