• O contratempo da memória

    O contratempo da memória

    Morremos todos os dias
    Cada minuto é um minuto perdido
    É um minuto que não volta mais
    Um minuto que se foi.

    É o tempo quem nos mantém presos ao chão
    Perdidos em nossas convicções
    Surpresos de nossas contradições
    É o tempo quem nos faz perceber nossas limitações.

    Tudo vai se esvaindo pelas nossas mãos
    Ilusões são passageiras em nosso trem
    Compreensões incompreendidas se vão
    Busco só saber o que restou dessa quimera.

    Lampejos são as memórias
    De uma mente sem pátria
    Sendo o tempo a nossa âncora.

    Tempo de amar
    De viver o tempo todo
    Dando sentido às nossas memórias.

    Carlos de Campos

  • Minha falta de opção

    Minha falta de opção


    Não adianta tentar esquecer
    Quando tudo o que experimentamos é só ilusão
    Deveres e obrigações
    Noites de insônia sem fim.


    Quando os dias são pesados
    A esperança esperneia
    Não desistir é o ideal
    Luta, briga com as próprias emoções.


    Emoção à flor da pele
    Pele que sente o frio do abandono
    Desrespeito das loucuras alheias
    Fluidez de toda alucinação.


    Ódio como reprodução do medo que sinto
    Escondo-me para não ser mais ferido
    Morte por asfixia.


    A insânia se estende
    Contra a nossa própria vontade
    Entre traumas e desencontros.

    Carlos de Campos