• Mendigar é poder e sabedoria

    Livro: A mente e o dinheiro — Poema 01/80

    O pedinte anda pelas ruas
    O seu caminho é seguir andando
    O seu caminhar denúncia
    A vida é triste para quem só acumula.

    O seu olhar não enxerga
    Que o pouso para descansar não existe
    O que existe é o fardo de quem só acumula
    Sem saber se vai conseguir gastar.

    E, no caminho, o andarilho continua
    Denunciando a nossa suprema resistência
    Que é preciso perceber
    Que acumulamos tanto para não sermos realizados.

    Uma vida que vive para o acúmulo
    É uma vida que já morreu
    Se afasta do verdadeiro segredo da vida
    Que a vida é para se viver genuinamente.

    Uma vida carcomida pelo acúmulo
    É um ideal de vida jogado no lixo
    É prejuízo para a própria saúde
    Que, ao repousar, se encontrou com a própria morte.

    Que busca desenfreada foi essa?
    Em que, no seu silêncio, você não conseguiu ouvir?
    Renegou a sua própria história de felicidade
    E, agora, morto está diante do reconhecimento.

    Carlos de Campos 

  • Profundo está o meu desejo

    Livro: Solidão Digital – Poema 03/60

    Entre a minha mente vulnerável,
    esquecida em um imenso apagão,
    o meu raciocínio já não raciocina mais.
    Estou refém desse momento.

    Li o que não buscava e continuei lendo.
    O rolo compressor da internet simplesmente passou por cima,
    sem nem olhar para trás, me viciou.
    Hoje, sou um dependente virtual.

    O vício é alimentado dia e noite.
    É impossível parar.
    Quebrar essa barreira é quase impossível.
    Viciado, sigo a rotina.

    Chapado de lixo on-line,
    quanto mais sem sentido, melhor fica.
    Vidrado por horas a fio, permaneço,
    fico buscando sentido em tudo isso.

    Onde me escondo?
    O lugar é a minha mente.
    Ferve a minha cabeça,
    explodindo os meus neurônios.

    Em uma neurose profunda, sou levado.
    Sou submetido a uma longa e intensiva tortura virtual.
    Estou onde nunca desejei estar.
    Quero sair e não consigo.

    Carlos de Campos