Tag: abandono

  • Um mar de lamentação


    Um mar de lamentação

    Solidão.
    Estado em que se encontra a minha alma.
    Alma ferida.
    Coração esvaziado.

    Solidão.
    Estado consciente da nossa sociedade.
    Coração ferido.
    Alma vazia.

    Em que estado estamos?
    Estamos em um estado deplorável,
    de constante insatisfação.

    Um mar de pessoas
    que cultiva esse estado,
    estado do mais completo abandono.

    Carlos de Campos
    Foto por armau011fan bau015faran em Pexels.com
  • No peito bate um vazio

    No peito bate um vazio

    Na manhã desta segunda-feira, sem que eu soubesse de nada, ele foi embora. E com ele, levou minha filha.
    Em mais um ato canalha e covarde, ele ainda orquestrou o sequestro dela. Nada posso fazer além de chorar.

    Sou alcoólatra. Estou desempregada. Passei a maior parte da minha vida morando entre uma calçada e outra.
    Em que mundo eu ganharia a guarda da minha filha? É um jogo perdido. E agora? Que rumo devo tomar na vida?
    O único fio que me segurava aqui acabou de se romper.

    Vago pelas ruas na esperança de reencontrar minha filha.
    Bêbada, ando meio quarteirão por dia. Quando paro, minha mente tenta me trazer de volta à lucidez.

    É difícil para mim viver sóbria, porque, ao ficar sóbria, sou levada a verdades que me machucam demais.
    A realidade é dura demais para mim.
    Preciso me manter afastada dela — e, alcoolizada, é o melhor que posso fazer por mim mesma.

    Nos meus poucos dias de sobriedade, martela no meu peito a dor de não ter conseguido ser mãe.
    A culpa por ter me deixado levar pelo alcoolismo me consome.
    Quem sou eu além de uma andarilha? A noite mal chegou e cá estou, completamente bêbada.
    Há uma tristeza pairando no ar — bem mais poderosa do que em outras vezes.
    Desta vez, até alcoolizada consigo senti-la.
    Ela rasga o meu peito com um vazio descomunal.
    E eu não tenho para onde correr.

    Carlos de Campos

    Foto por Emre Y. em Pexels.com
  • Boas e más notícias

    Boas e más notícias

    Numa tarde qualquer, um homem desorientado, embriagado por mágoas. Longe dos olhares que o condenam, pessoas iguais a mim. Sou cão sem dono, sem princípios. Aos homens como eu, digo apenas uma coisa: tudo é tempo. Tempo que passa, que passa longe de mim. Nada melhor que o tempo para nos curar.

    Carlos de Campos

    Foto por Meshack Emmanuel Kazanshyi em Pexels.com
  • Som da Alma

    Som da Alma

    Mostre o abismo da solidão
    Fincado na rejeição.
    Não machuque a memória
    No cansaço da negação.

    Mulher, teu cansaço
    Diminui ao longo da vida,
    Impondo diferentes perspectivas,
    Nenhuma igual à outra.

    Mãe que acolhe,
    Filho que abandona.
    Em cada novo nascimento,
    Se mina o relacionamento.

    Muitos relacionamentos findaram,
    Corações sangraram.
    Imutáveis são as consequências;
    O que se pode fazer?

    Na vigilante memória,
    Debruço-me em expectativas,
    Impondo-me a mais nobre resolução.
    Do teu seio, bebo dessa dor.

    Oh, estrela casta!
    De olhar deslumbrante,
    Equilíbrio peculiar ao teu alcance.
    Tens honra que dignifica.

    Carlos de campos
    Foto por PNW Production em Pexels.com
  • Minha falta de opção

    Minha falta de opção


    Não adianta tentar esquecer
    Quando tudo o que experimentamos é só ilusão
    Deveres e obrigações
    Noites de insônia sem fim.


    Quando os dias são pesados
    A esperança esperneia
    Não desistir é o ideal
    Luta, briga com as próprias emoções.


    Emoção à flor da pele
    Pele que sente o frio do abandono
    Desrespeito das loucuras alheias
    Fluidez de toda alucinação.


    Ódio como reprodução do medo que sinto
    Escondo-me para não ser mais ferido
    Morte por asfixia.


    A insânia se estende
    Contra a nossa própria vontade
    Entre traumas e desencontros.

    Carlos de Campos