No cárcere desta longa solidão, alimento-me do medo, na embriaguez de minhas palavras, do ódio que alimento no canto mais frio da alma.
Os cadáveres me assombram todos os dias. Esqueletos são as minhas companhias. Noite fria, nua, me seduzindo. Mergulho em mim.
O que esperar desta solitária prisão? Dos dejetos que se acumulam em minha alma? Da sombria decisão da vida? O que devo esperar dos abusos que sofro aqui?
Tudo é tão gelado, sem dia para terminar. Nesta cela fria, eu me vejo. Encorajo-me a ser só solidão.
Mão de obra
O amanhecer chega
E, com ele, um novo dia
Um dia de trabalho
Para os que ainda têm.
Um dia para garantir a subsistência
Para, quem sabe, ter o que comer no fim do dia
Um dia para se trabalhar com dignidade
E não para se tolerar abusos no trabalho.
O trabalho precisa sustentar a vida
Dignidade e alegria
É só o que pedimos.
Mão de obra
É do que depende o desenvolvimento social
Respeito ao trabalhador acima de tudo.
Carlos de Campos
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