Tag: autoconhecimento

  • Leveza é encontrar-se com a morte e viver


    Leveza é encontrar-se com a morte e viver

    Porque adeus,
    se até logo já bastaria,
    quando nada acaba,
    estando triste.

    Uma jornada é uma jornada.
    Um dia de tristeza é um dia a menos.
    É a solidão de um mar,
    um dia ensolarado parcialmente encoberto.

    Felicidade acabada,
    o sustento da dor,
    tendo a alma atravessada,
    bem devagarinho.

    Morrer aos poucos,
    lenta e dolorosamente,
    é a vida quem nos impõe
    diante do medo.

    Levanto-me da minha lama existencial,
    chorando qual uma criança recém-nascida,
    cego por tanta luminosidade,
    tentando simplesmente me ambientar.

    Uns dias depois do meu novo nascimento,
    busco encontrar forças para me sustentar,
    para seguir onde quer que seja,
    com um sorriso em meu rosto.

    Carlos de Campos
    Foto por Matheus Albuquerque em Pexels.com
  • Sem amor nada faz sentido

    Sem amor nada faz sentido

    Me sufoca o ar raro efeito.
    Não consigo respirar.
    Aqui é frio.
    Onde posso me esconder?

    O poder do amor soterra,
    maltrata o amante,
    mata quem é amado.
    O que me faz amar, além da morte?

    O meu corpo não pensa.
    Meu destino é segredo.
    No incêndio da mente,
    o poder é destrutivo.

    Ruas destruídas,
    estradas sem saídas,
    queimadas por todos os lados.
    Falta água.

    Nos últimos dias,
    tudo se dispersou,
    se alinhou
    e seguiu.

    Vejo o amor despido,
    enlouquecido,
    nos seus delírios,
    se entregando.

    Carlos de Campos

    Foto por u00f6mer u00e7elik em Pexels.com
  • O meu sofrimento não me permite elevação


    O meu sofrimento não me permite elevação

    Não bebo a solidão,
    ela é quem me toma,
    me possui em tudo:
    sentido...
    tato...
    olfato...
    paladar...
    Nada está fora do seu alcance.

    Algoz do meu mundo,
    que em medo me enche,
    o que nada desafia
    na fria escrita
    que rompe o silêncio.
    Tempo sombrio.

    Tudo o que faz sentido
    está longe de ser revelado.
    O que faz sentido não se explica:
    observa,
    sente e observa,
    sente até sentido fazer.

    No meu mundo é difícil sentir,
    porque o sentido se desfaz
    na ilusão do meu entendimento.
    Meu caro, devo lhe dizer:
    o Invisível é quem te guia,
    na escuridão ou na iluminação.

    Carlos de Campos
    Foto por Dorran em Pexels.com
  • Defesa


    Defesa

    Tudo emerge de um pensamento
    Distante da realidade
    De um mundo habitado por fantasias,
    Emerge das profundezas.

    Não existe o que existe,
    Nem por arcanjos,
    Jurando solenemente diante de Deus
    Que meus pecados me levam para o inferno.

    Ouço a trombeta divina cantarolando,
    Ouço anjos fofocando.
    Sou a declaração do fracasso divino,
    A invenção devastadora dos poderosos.

    Mergulho diante da ignorância humana,
    Nos lábios carnudos da intolerância.
    Prevejo carnificina,
    A humanidade rolando em suas próprias fezes.

    Uma virgem
    Ora em um convento,
    Dispersa em seu interior,
    Se desfaz de sua santidade.

    Um silêncio toma conta de toda a minha alma,
    O desespero está suspenso.
    As minhas orações foram atendidas,
    Tudo volta para o seu estágio natural.

    Carlos de Campos
    Foto por Zura Modebadze em Pexels.com
  • Um olhar atento para dentro


    Um olhar atento para dentro

    Morte como obediência de uma vida,
    Vejo escapando de minhas mãos
    Na neblina que turva a minha vista,
    No oceano em que estou mergulhado.

    Os meus olhos cegos seguem pelo caminho,
    Tateando os ares,
    Perdendo-se em si mesmos
    E encontrando-se no outro.

    Nossa bela morte
    Nos beija constantemente na face,
    No amargo do meu suor,
    Compreendendo todos os meus medos.

    Medo de uma vida
    Distante do desejado,
    Doses de fracasso
    Capazes de mudar toda a minha sorte.

    O sonho me distrai,
    Me faz avançar,
    Me limita,
    Me instiga a sempre ir para frente.

    Me orienta em meu interior
    A permanecer sempre atento,
    Usufruindo do mel da sabedoria eterna
    Que pulsa no limiar da vida e da morte.

    Carlos de Campos

    Foto por Tom Fisk em Pexels.com
  • O frio dói e beija na escuridão


    O frio dói e beija na escuridão

    No inverno, esconde-se a dor.
    A tristeza pede para permanecer.
    A dor é sua moradia,
    é o instante de todo o meu sofrimento.

    Instante febril,
    bagagem que me sufoca,
    que desmorona sobre mim,
    sobre o instante já perdido.

    O inverno é frio.
    Para além do frio, é escuro,
    é solitário,
    é vazio de qualquer sentido.

    O que fazer?
    Como sentir novamente?
    Além da escuridão e do frio,
    como não estar solitário?

    Carlos de Campos
    Foto por molochkomolochko em Pexels.com
  • Deus e demônio, eu sou os dois

    Deus e demônio, eu sou os dois
  • Olhe para o céu, não são estrelas


    Olhe para o céu, não são estrelas

    É a virtude que eleva.
    São os dias traiçoeiros que nos levam a refletir.
    Há quem nem pense sobre isso.


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    Vem, olhe pela janela.
    Veja que magnífico:
    o que era pessimismo se transformou em otimismo.
    Contemple, este é um momento raro.

    Observo de longe
    sua percepção
    de encontrar, nas entrelinhas, a solução.

    Não é presente,
    nem milagre.
    É a nossa busca constante
    de poder ver e enxergar.

    Olhe bem:
    os dias passam — e como passam.
    Passam como os seus olhos passam por essas palavras,
    passam e ficam guardados na memória.

    Olhem a escuridão à sua volta.
    Observem esse vasto campo de leitura.
    Leiam pelas brechas deixadas pela escuridão
    e, como um milagre, toda a cegueira vai embora.
    A ilusão é expulsa a cada leitura.

    Carlos de Campos
    Foto por MELQUIZEDEQUE ALMEIDA em Pexels.com
  • Nosso amor se acabou


    Nosso amor se acabou

    Instante.
    Momento passageiro.
    Uma história de amor.
    Estes são tempos sombrios.

    Momento de um instante ferido,
    ferida aberta de um amor.
    Tudo o que deixo são instantes feridos,
    instantes de um amor.

    O medo aparece à minha porta,
    descuidado no andar.
    Tudo o que passou
    passou sem vida.

    Nada faz você desistir,
    no instante, de repente.
    Repenso em estar com você
    na noite ferida.

    Tudo acabou.
    Acabou o nosso amor,
    a nossa ilusão.
    Acabou tudo o que eu sentia por você.

    Esse instante é um desses momentos feridos,
    cheio de tristeza,
    de um amor que se acabou.
    Esses dias, encontrei você na rua.

    Carlos de Campos
    Foto por Luca Nardone em Pexels.com
  • Eu tenho a esperança batendo em meu peito



    Eu tenho a esperança batendo em meu peito

    Este sonho é um instante,
    um instante que passa,
    que passa devagar,
    bem devagar.

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    Tudo está lento,
    rastejam
    sonhos como instantes congelados.
    Nada faz sentido para a razão.

    O sol faz toda a escuridão se dissipar.
    Devagar, tudo clareia.
    Tudo passa a fazer sentido.
    Vejo o que deveria ter visto antes.

    Fizemos uma escolha,
    a escolha de olhar,
    olhar para o presente,
    olhar para as novas decisões.

    Este é o melhor momento
    para desatar as cordas
    e libertar o pensamento,
    pensar como pensam os grandes.

    Elevo os meus pensamentos ao horizonte,
    observo o sol se pondo.
    Percebo uma esperança em meu peito,
    percebo que tenho uma nova chance.

    Carlos de Campos