Tag: Brasil

  • Defesa


    Defesa

    Tudo emerge de um pensamento
    Distante da realidade
    De um mundo habitado por fantasias,
    Emerge das profundezas.

    Não existe o que existe,
    Nem por arcanjos,
    Jurando solenemente diante de Deus
    Que meus pecados me levam para o inferno.

    Ouço a trombeta divina cantarolando,
    Ouço anjos fofocando.
    Sou a declaração do fracasso divino,
    A invenção devastadora dos poderosos.

    Mergulho diante da ignorância humana,
    Nos lábios carnudos da intolerância.
    Prevejo carnificina,
    A humanidade rolando em suas próprias fezes.

    Uma virgem
    Ora em um convento,
    Dispersa em seu interior,
    Se desfaz de sua santidade.

    Um silêncio toma conta de toda a minha alma,
    O desespero está suspenso.
    As minhas orações foram atendidas,
    Tudo volta para o seu estágio natural.

    Carlos de Campos
    Foto por Zura Modebadze em Pexels.com
  • Um olhar atento para dentro


    Um olhar atento para dentro

    Morte como obediência de uma vida,
    Vejo escapando de minhas mãos
    Na neblina que turva a minha vista,
    No oceano em que estou mergulhado.

    Os meus olhos cegos seguem pelo caminho,
    Tateando os ares,
    Perdendo-se em si mesmos
    E encontrando-se no outro.

    Nossa bela morte
    Nos beija constantemente na face,
    No amargo do meu suor,
    Compreendendo todos os meus medos.

    Medo de uma vida
    Distante do desejado,
    Doses de fracasso
    Capazes de mudar toda a minha sorte.

    O sonho me distrai,
    Me faz avançar,
    Me limita,
    Me instiga a sempre ir para frente.

    Me orienta em meu interior
    A permanecer sempre atento,
    Usufruindo do mel da sabedoria eterna
    Que pulsa no limiar da vida e da morte.

    Carlos de Campos

    Foto por Tom Fisk em Pexels.com
  • Além do Mergulho


    Além do Mergulho

    Mergulho para além do que vejo,
    para além do que sinto.
    Mergulho para além do abismo.
    Além.

    Mergulho no ponto essencial,
    desigual,
    saturado pelo medo,
    essencialmente desigual.

    O que penso não é meu,
    vem de fora.
    Palácio carcomido de ignorância
    é quem essencialmente me atrevo a ser.

    O mergulho eu dei
    e dei de cara com o concreto,
    concreto duro e desonesto,
    sequestro da sodomia.

    Sedução.
    Sentidos presos
    observam pela fresta.

    Mergulho em tuas entranhas,
    sequestro os teus desejos.
    Além de tudo, te mato.

    Carlos de Campos
    Foto por Rastislav Durica em Pexels.com
  • A ilusão é o meu destino


    A ilusão é o meu destino

    Quem sou eu diante do absurdo do meu reflexo? Feliz no instante egoísta da própria limitação. O medo é encorajado pelo instante duvidoso. Sou a decepção dos triunfos não alcançados de um dia a mais, fadigado. Sou a beleza da plena lamúria que um dia ousou se rebelar dos instantes perfeitos; só me restou a imperfeição. Cada dia é um dia a mais de morte e ressurreição.

    Existe em mim amor, ainda que turvado por meu egoísmo? Por minha grandeza sustentada pela areia? Existe um lugar pouco conhecido, quase esquecido por mim; é aí que a força poderosa do amor vive, em um cômodo de um metro quadrado, sem luz, sem água, sem dignidade, esquecido por você para que morra de frio na mais pura e intensa solidão.

    Em artesanato, esbocei a minha perigosa relação de queda, como um anjo perdido, cheio de ambição e certo de que irei falhar. Existe um medo da grandeza; é como se fosse querer me engolir. Nada mais faz sentido quando o que sinto não faz parte da minha realidade. É como se eu fosse o eu de ontem, o eu de um passado distante, que só observa e não faz mais nada.

    Carlos de Campos
    Foto por shajahan shaan em Pexels.com
  • Nascidos da essência do caos


    Nascidos da essência do caos

    Tudo o que existe
    Respira
    Tem o dedo
    Do caos.

    Caos que encontrou
    Caldo cósmico
    Oportunista galáctico
    Caos nada tão natural.

    O mundo existe do caos.
    Você é caos bruto.
    Nada existe antes
    E nunca existirá depois.

    O caos é a energia primordial de toda a existência.
    O caos é o seu destino final.
    A morte é o anti-caos.
    Nada vem antes, durante ou depois do caos.

    Organicamente, somos caos.
    Politicamente, somos caos.
    Psicologicamente, somos caos.
    Naturalmente, somos filhos e filhas do caos.

    Olhe para si mesmo
    E contemple a beleza,
    O pulsar de uma vida que constantemente se reorganiza do caos.
    Olhe e contemple: há caos por todos os lados.

    Carlos de Campos
    Foto por Marco Milanesi em Pexels.com
  • O frio dói e beija na escuridão


    O frio dói e beija na escuridão

    No inverno, esconde-se a dor.
    A tristeza pede para permanecer.
    A dor é sua moradia,
    é o instante de todo o meu sofrimento.

    Instante febril,
    bagagem que me sufoca,
    que desmorona sobre mim,
    sobre o instante já perdido.

    O inverno é frio.
    Para além do frio, é escuro,
    é solitário,
    é vazio de qualquer sentido.

    O que fazer?
    Como sentir novamente?
    Além da escuridão e do frio,
    como não estar solitário?

    Carlos de Campos
    Foto por molochkomolochko em Pexels.com
  • Deus e demônio, eu sou os dois


    Deus e demônio, eu sou os dois

    Morte, desejo estranho, distante de mim. O que devo pensar no interior da alma? Camadas perdidas dentro de mim, rosnando para o meu ser. Quem sou eu, afinal? Ilusão e realidade. Dúvidas e certezas. Deus e demônio habitam o meu ser, guerreiam para decidir quem será o cafetão de minha alma, alma dividida pela divisão infinita, pela contradição estabelecida no caos de uma perversão enfraquecida. Deixo toda a minha alma para você.

    Instantes finais de uma decisão tomada, de um delírio constante. Quem sabe um dia tudo fará sentido. Bando de porcos corre por cima do meu corpo, buscando ouvir a palavra de salvação; carniceiro da pregação, aludindo ao prelúdio bestial dos homens purificados que ejaculam de sua própria arrogância e moralidade. É o fim de um final em que o início sempre piora. Estou ouvindo os deuses reivindicando que toda glória é merecida, tudo o que desejo é que assim seja.

    O lábio terrível da maldição não é o lábio que fala; é o lábio que, enquanto beija, injeta todo o seu veneno. Lábios da maldita maldição que nos mata por dentro, em silêncio, enquanto honramos o Deus de toda a perversão.

    Carlos de Campos
    Foto por Lisa from Pexels em Pexels.com
  • Espionagem


    Espionagem

    Vê-se que ondas eletromagnéticas
    derrubaram os sinais
    dos satélites que espionavam
    o território do Brasil.

    É possível ver o satélite?
    Ondas eletromagnéticas
    derrubaram os sinais
    e agora estamos todos no escuro.

    Carlos de Campos
    Foto por SpaceX em Pexels.com
  • Deus e demônio, eu sou os dois

    Deus e demônio, eu sou os dois
  • A lenda que ainda vive


    A lenda que ainda vive

    Um dia bem vivido
    Vale mais que mil anos vividos no sofrimento.
    Vivo o que preciso viver hoje,
    Intensamente, como deve ser.


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    Os teus dias passam,
    A morte nos espreita.
    Viver e morrer sem tesão
    É uma escolha a se fazer.

    Viver e morrer com alegria
    É se tornar uma lenda.
    É uma lenda quem soube aproveitar o que tinha.
    Seja você mesmo: é o que basta.

    Sê lenda em nossos dias,
    A lenda da alegria,
    Que sabe dosar esse tempero em toda a vida.
    Sê lenda: é o teu destino.

    Viver na alegria
    É saber exatamente o momento de ser alegria.
    É preciso confiar em seus instintos
    E se soltar.

    A morte é o ato da infelicidade,
    A desesperança em nosso ser.
    O antídoto para tudo isso
    É viver a potencialidade de um dia feliz.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com