Onde estaremos?
O relógio está mais lento,
os ponteiros estão parados.
Há tempo para respirar.
Carlos de Campos

Onde estaremos?
O relógio está mais lento,
os ponteiros estão parados.
Há tempo para respirar.
Carlos de Campos

Prometemos
Promessa de dias em paz,
de uma vida mais tranquila.
Decidi escolher
por um dia de estresse.
O horizonte não me parece nítido.
Estamos em constante perigo.
Cadê o meu refúgio?
Os dias de paz?
Um sinal nunca é certo.
São imensas as variações
em nossa tomada de decisão.
Carlos de Campos

Os sonhos escondidos
Foi no auge de minha lucidez,
onde os caminhos já não tinham mais volta,
os sonhos foram despedaçados.
A vida complicada ficou,
a ilusão finalmente chegou.
Carlos de Campos

Ruminar no santuário do coração
Os deleites da alma
transbordam em emoção.
São décadas enclausuradas,
cultivando o amor sagrado
que, sangrando, se faz sozinho.
Carlos de Campos

Mudanças
O sonho me leva para onde quero ir,
para dentro dos meus desejos.
Vou livremente,
e nada pode me impedir.
Mostro o caminho,
a estrada toda arruinada.
São necessários passos cuidadosos
nas ruas esburacadas.
É a hora certa de prosseguirmos,
mesmo diante de tantas dúvidas.
O caminho a percorrer é esse,
as memórias são o que são.
Meus dias cansados,
as horas passando,
o tempo é o tempo,
livre, sonhando.
Carlos de Campos

Quem não está consciente de si está como na vida?
O sonhador esquecido,
diante do amor se revela.
Em sua lucidez se esconde,
a realidade é muito dura,
vê tudo em um mundo idealizado.
O sonhador hesita em sua vida,
tudo é radical em seus sonhos,
tudo é igualmente um fracasso.
Quando é convidado a despertar pela manhã,
é um rio fluindo em sua contenção.
O solo duro após a chuva
encontra a correnteza de um rio.
Uma ave bebe água,
um peixe tenta respirar fora da água,
o mistério desse fim de tarde.
Os domínios do meu corpo
estão sob os domínios do vento,
domínios de uma natureza amorosa
que canta as mais belas canções de ninar,
enquanto balança o berço da nossa existência.
A ilusão é avassaladora em nossa mente,
é o destino mais temido pelas pessoas,
o arcabouço secreto em nossa alma,
o ver quando nada mais faz sentido —
não cabe no peito essa informação.
Um sinal do céu,
um arco-íris repleto de flores,
momento de êxtase vibrante,
de pensamentos em alto astral,
da certeza de que ainda há esperança.
O que esperamos alcançar de verdade,
ainda que pela metade?
Ainda que tenha que acordar desse sonho?
Um sonhador que sonha a sua verdade,
a verdade que nos faz acordar para a realidade de verdade.
Um misto de emoção me toma
e me carrega pela mão,
me leva para ver o horizonte
dos meus sonhos mais profundos,
os mais intrigantes da minha vida.
Todos nós somos sonhadores,
sonhando em tempos de paz,
sonhando para que sonhos se tornem realidade.
Um sonhador consciente de seus sonhos,
dos sonhos que nos fazem levantar todas as manhãs para continuar.
Carlos de Campos

Morrer aos poucos
Pouco a pouco, tudo se vai,
Sem encontrar barreiras, se vai.
Tudo é instável, Perdemos o chão.
Carlos de Campos

Nós estamos muito cansados
O empecilho na estrada
Nos impede de ver,
De sentir,
De existir aqui.
Tenho o que não preciso,
A distância me irrita,
O fôlego diminui,
Sinto-me exausto.
Reúno a coragem,
Coragem para persistir,
Insistir em continuar respirando.
Respiro a pureza do existir,
Da vida que nos faz teimar
E que nos leva a prosseguir.
Carlos de Campos

Um instante passageiro
Me vejo absorto.
Nada parece estável.
Preciso de segurança.
O solo deixa buracos.
No percurso, destilamos ofensas.
Encaramos os nossos próprios medos,
sabendo que, lá no fundo, estamos apavorados.
Precisamos seguir sem demonstrar inquietação.
Lutar é o que dá sentido para a vida.
Internamente, somos tão humanos
que cada passo parece uma longa jornada.
Tentamos dar os passos mais seguros.
Há pior momento do que perder?
Tudo, absolutamente tudo,
no movimento seguinte,
deixamos algo pelo caminho.
Quem, olhando para a própria vida,
quis desaparecer?
Procurou sentido no próprio existir?
Na fadiga que nos envolve?
Não estou vendo uma saída,
se é que existe uma saída.
Um olhar mais detalhista,
um dia de sorte.
Olhei para além do que via
e vi que existia uma saída.
Uma nova chance eu encontrava,
além das minhas possibilidades.
Insisti em reconsiderar,
como se tudo estivesse acabado,
como se os meus desejos não contassem.
Respirei para reconsiderar.
Purifiquei as minhas ideias.
As distrações me perseguiam.
Desejo e sonho ao mesmo tempo.
O que farei agora?
O meu testemunho é verdadeiro.
Lutar para viver é necessário.
É a realidade indagando,
o mundo estreitando.
Um belo sonho estou sonhando,
um canto estou compondo.
Tudo é santo,
como eu sou pecador.
O sonho é verdadeiro
quando sonhar faz total sentido.
No meu viver, não fez.
Não estou sendo pessimista demais?
Meu Deus do céu,
o sol apagou.
Na escuridão da vida,
sigo a minha rotina.
Um breve silêncio ecoou.
Na chama fria da vida se fez,
se fez desejo, sonho e solidão,
se fez a mais pura contradição.
Instante ferido pela morte
não poupou nem a própria sorte.
Nas profundezas de um sortilégio,
sem nenhuma animação.
O que passou, passou.
Sou este instante,
essa lucidez calculada.
Eu sou o tempo perdido.
Leveza abstrata,
sonho fascinante,
um toque.
Tua é a nossa sorte.
Uma cadência pura de razão.
Vê quem está perto,
perto demais para entender
que o momento exige paciência.
Os seus olhos me seduzem,
me revelam detalhes,
detalhes que passam despercebidos
e que são essenciais nesse momento.
Peça batendo cabeça,
sorte contida,
impulsos desprovidos de certezas.
Desistir tornou-se uma opção.
A morte é a minha nova sorte,
é o destino insistindo,
é o preço a se pagar.
Respiro para voltar.
Oh, demasiadamente bizarro,
os desígnios se revelam,
as abstrações tomam formas.
O que vejo é imperdoável.
Resta saber: quem viu?
Quando, estando prestes a saber, soube
que esse seria o movimento certo,
quem não soube compreender?
Os desejos inflamados querem correr.
Cegaram os olhos que nunca viram
além do que lhes era permitido ver,
e, quando viram, já era tarde demais.
Resistir é necessário,
mas qual seria a melhor resposta?
Sem saída,
o fim se aproxima.
Apego-me às soluções improvisadas,
em espantalhos imaginários,
no destino traçado pela sorte
para quem ainda não viu.
O que são esses movimentos,
além de movimentos
de meras incertezas,
sem observações?
Um recuo se faz necessário,
um salto para o escuro.
Sem medo algum, eu sigo o meu destino,
incerto, mas ainda é o meu destino.
Move-se em pleno voo
um pensamento congruente,
um passado absoluto
contando um presente.
Nossa é a vida presente
dos momentos apaixonados.
Um dia é como vemos.
Voar é estar livre.
Carlos de Campos
Poema baseado “Na partida imortal de xadrez do dia 21 de junho de 1851 entre adolf andressen e lionel kieseritzky”
