Tag: Brasil

  • Sonhador Desencantado

    Sonhador Desencantado  

    Meios para sobreviver
    Difícil é a vida de um assalariado
    É uma luta constante e desleal
    É preciso engolir o choro para seguir.

    A vida é dura para quase todo mundo
    Pelejamos para nos manter subnutridos
    Não temos para onde correr
    E ninguém faz questão de nos socorrer.

    O que mais podemos fazer?
    Tanta injustiça nos assombra
    Violência urbana nos machuca
    Estou sem forças e sem esperança.

    Meu Deus, já não mais espero tua intervenção
    Estás do lado do opressor
    A oferenda do tempo de minha vida em nada te agradou
    De tua parte, só recebemos silêncio até o momento.

    Canseira é como podemos definir essa vida
    Decepções integram esse pacote
    Ler, sinto o desejo de ler.

    Meu desejo é ler dia e noite
    Quem sabe um dia esse sonho se realize?
    Assim como meu bisavô, meu avô, meu pai sonhou, Este é o meu sonho também.

    Carlos de Campos
    Foto por Brendan Ru00fchli em Pexels.com
  • Ecos de Turbulência

    Ecos de Turbulência  

    O berço balança
    Equilibrando os remos
    Estava tudo escuro
    E nada podia ser visto.

    Memórias que vêm e vão
    Devaneios constantes
    Sombra pairando em nossas cabeças
    Triste e confusa é a nossa vida.

    Nos vemos no centro do tumulto
    Tudo está distorcido
    A confusão é generalizada
    Corpo e alma andam desequilibrados.

    Moinho de vento carrega nossas dores
    A turbulência nos nega a paz
    Encarcerados pela ilusão
    Quem nada mais pode suportar.

    Irradiação enche o quarto
    É amor pleno
    Anjo da misericórdia.

    Procuro na alma
    Meios para se tornar amor
    Para poder se deleitar no presente.

    Carlos de Campos
    Foto por Alex Lain em Pexels.com
  • Tempestade

    Tempestade

    Motim noturno
    Prelúdio de emoção
    Recalque cala.

    Carlos de Campos
  • Defender a democracia é proteger a própria vida

    Defender a democracia é proteger a própria vida 

    Se observa a falta de comprometimento
    É a condição imposta
    Sujeito ao submundo
    Disperso pela vida.

    Ninguém sabe que sabia
    Pela noite adentro se tramava
    Que a pátria seria aniquilada
    Tomada no golpe.

    Não cante vitória
    Nem conte com nossa rendição de mão beijada
    Essa nossa jovem democracia
    Será defendida com a própria vida.

    Onde existe democracia, existe a força popular
    O direito fundamental
    Diálogo e muita resistência.

    A defesa da democracia é preservar a vida
    Se, hoje, o sol brilha em seu rosto
    É porque vive em uma democracia.

    Carlos de Campos

    Foto por michelle guimaru00e3es em Pexels.com
  • Apito estridente

    Apito estridente 

    Jogo no terrão
    Na esperança de jogar na grama
    Jogo no asfalto
    Assalto frustrado.

    Detido pela polícia
    Meu sonho é só mais um sonho
    De uma vida pré-determinada
    Morrer antes que o sonho se torne realidade.

    Mover-me para onde?
    Ah!
    Nada a declarar.

    Mais uma história repetida
    Das milhões que já ouvi em minha vida
    Sigo as migalhas que caem da mesa.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Monge longe de casa

    Monge longe de casa

    O fogo aquece a alma
    Tudo destrói, restando só as cinzas
    Lugar bagunçado
    De almas tão aflitas.

    O mosteiro procura o pecado
    Deixando de lado o pecador
    As lágrimas caem para salvar
    Enquanto minha alma segue queimando.

    Um coração para ser iluminado não precisa de combustível
    Mesmo se o tempo se mostra sombrio
    O amor é a nossa iluminação.

    De dentro do mosteiro posso ver um monge
    Apagado diante da tua consciência
    Dos horrores que tens praticado em vida.

    Carlos de Campos


    Foto por RDNE Stock project em Pexels.com
  • No suspirar de uma Deusa

    No suspirar de uma Deusa     

    O mosteiro em chamas,
    Pecados e pecadores
    Se consumindo em fornicações,
    Deleitando-se no moralismo barato.

    Incapaz de viver uma vida santa,
    Impõe aos fiéis o sacrifício vespertino,
    E finalmente bebe-se no cálice da redenção
    No silêncio sabático da mortificação.

    Eu prometo, diante do Deus Altíssimo,
    Cultuá-lo na sua ausência plena,
    Que só revela a sua inexistência.

    O adorador a ti se rende, dando glória,
    Enquanto entoa um hino que maltrata o próximo.
    Tua é a promessa vazia.

    Carlos de Campos
    Foto por Anna Shvets em Pexels.com