Tag: caos interior

  • Viajante do espaço

    Viajante do espaço

    Ordem, grita a voz rouca.
    Não és um animal incontrolável.
    Na verdade, és a chama a me incinerar,
    doente dos olhos.

    Ordem é o meu nome.
    Começo a não mais enxergar.
    É a vista enfraquecida,
    humor desproporcional.

    Ordem e desordem me acompanham.
    Cabeça baixa.
    Insultos posso ouvir.
    Mercadoria, tudo em ruína.

    Desordem em meu ser,
    na história que se revela,
    que se abate sobre nós,
    nessa triste escuridão.

    Carlos de Campos

  • Deus e demônio, eu sou os dois


    Deus e demônio, eu sou os dois

    Morte, desejo estranho, distante de mim. O que devo pensar no interior da alma? Camadas perdidas dentro de mim, rosnando para o meu ser. Quem sou eu, afinal? Ilusão e realidade. Dúvidas e certezas. Deus e demônio habitam o meu ser, guerreiam para decidir quem será o cafetão de minha alma, alma dividida pela divisão infinita, pela contradição estabelecida no caos de uma perversão enfraquecida. Deixo toda a minha alma para você.

    Instantes finais de uma decisão tomada, de um delírio constante. Quem sabe um dia tudo fará sentido. Bando de porcos corre por cima do meu corpo, buscando ouvir a palavra de salvação; carniceiro da pregação, aludindo ao prelúdio bestial dos homens purificados que ejaculam de sua própria arrogância e moralidade. É o fim de um final em que o início sempre piora. Estou ouvindo os deuses reivindicando que toda glória é merecida, tudo o que desejo é que assim seja.

    O lábio terrível da maldição não é o lábio que fala; é o lábio que, enquanto beija, injeta todo o seu veneno. Lábios da maldita maldição que nos mata por dentro, em silêncio, enquanto honramos o Deus de toda a perversão.

    Carlos de Campos
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  • Existe uma unidade fraca neste universo


    Existe uma unidade fraca neste universo

    Fui, entre os fortes,
    o mais fraco dos fracos,
    o mais temido por minha esperteza.
    Hoje, sou só o que preciso ser.

    Sou a solução de suas ilusões,
    sou a fonte de água em seus dias de seca,
    sou o alívio em suas aflições.
    Quem sou eu, afinal?

    Imensidão à nossa volta,
    caos em nosso interior.
    Quem somos nós, afinal,
    aqui neste universo?

    Eu e você, quem somos?
    Eu sou o que precisa de você.
    Você é quem, para mim, afinal?

    Fim de nossa unidade,
    unidade frágil em meio ao caos.
    Vou para dentro, mas é possível que eu esteja fora,
    fora do meu real equilíbrio.

    No mais, existe algum sentido em estar aqui?
    Aqui, dentro deste universo?
    Aqui, fora dos meus sentidos?
    Fora de nossa unidade fraca?

    Carlos de Campos
    Foto por Meriu00e7 Tuna em Pexels.com
  • Perdido



    Perdido

    Perder-me em você em noites frias como a de hoje.
    Perder-me em sua história, história de um dia encoberto pela noite.
    No caos, é como me encontro — encontro-me sozinho.

    Carlos de Campos


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  • Nada é como antes

    Nada é como antes

    Não bem.
    Orgasmo mental,
    desejo incontrolável
    de olho.

    Em nada vejo,
    nada sinto,
    nada sei.
    Orgasmo mental.

    O instinto se rebela
    na contradição de uma vida
    desajustada, ferida —
    promessa de vazio.

    Instinto que se rebela
    no esconderijo da ferida
    de uma vida promíscua.
    Em nada me vejo.

    Orgasmo mental.
    Dê-me as suas entranhas
    para que eu revele a sua inocência
    de uma vida machucada.

    Cabe a você, meu bem,
    me impedir
    e opor-se, em meu ouvido,
    às loucuras de uma mente desequilibrada.

    Carlos de Campos
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