A nossa beleza está nos brasileiros e brasileiras, no clima amistoso com a vida, no sorriso de um povo cheio de esperança, de uma esperança que nunca se cansa.
O povo de várias camadas, complexas e profundas, de traumas que ainda machucam e que comovem por ainda buscar forças para lutar.
Nosso Brasil! Natureza oponente, vibra quem aqui vive, não estamos à venda.
Brasil da incoerência, coração que pulsa na boca, na alma verde e amarela, no campo verde da integridade.
O Brasil, como qualquer outro país, tem os seus altos e baixos. Cada país, assim como o Brasil, espera que o seu povo esteja lúcido.
O povo unido é mais forte, um povo que busca os mesmos ideais: justiça e fraternidade para todos, um povo solidário e muito brasileiro.
Morte, desejo estranho, distante de mim. O que devo pensar no interior da alma? Camadas perdidas dentro de mim, rosnando para o meu ser. Quem sou eu, afinal? Ilusão e realidade. Dúvidas e certezas. Deus e demônio habitam o meu ser, guerreiam para decidir quem será o cafetão de minha alma, alma dividida pela divisão infinita, pela contradição estabelecida no caos de uma perversão enfraquecida. Deixo toda a minha alma para você.
Instantes finais de uma decisão tomada, de um delírio constante. Quem sabe um dia tudo fará sentido. Bando de porcos corre por cima do meu corpo, buscando ouvir a palavra de salvação; carniceiro da pregação, aludindo ao prelúdio bestial dos homens purificados que ejaculam de sua própria arrogância e moralidade. É o fim de um final em que o início sempre piora. Estou ouvindo os deuses reivindicando que toda glória é merecida, tudo o que desejo é que assim seja.
O lábio terrível da maldição não é o lábio que fala; é o lábio que, enquanto beija, injeta todo o seu veneno. Lábios da maldita maldição que nos mata por dentro, em silêncio, enquanto honramos o Deus de toda a perversão.
O nosso destino está no ver. No ver de quem sente, no ver de quem ouve. Ver é ouvir o sentido.
O sentido que vê é o mesmo sentido que ouve, que sente o sentido do olhar. Vê como eu sinto? Sente o que eu vejo com o ouvido? Sua capacidade de ver está extremamente aguçada. Seu corpo se arrepia todo. Sua mão suada me toca, toca como quem quer ver o que está ouvindo. Sua boca deixa sair os sentidos. Sua alma está plena em ver o que eu vejo.
O estado de ver é visto nos olhos, é sentido. As minhas comoções vêm à tona, ligadas ao meu ver. Eu vejo o que vejo. Suas mãos estão frias.
Suas mãos veem o meu corpo, passeiam pelo meu corpo. Meu corpo vê os sentidos.
Carlos de Campos
Foto por Paulina Bermudez Castellanos em Pexels.com