Estou muito deprimido. Um mar de ilusão me afoga. O que faço nessa situação? Além de olhar fixamente para a parede?
Insisto no mar envolto, Destituir a minha tristeza. Sou mais forte. Só preciso começar a lutar. Eu sei que não será fácil. Eu sei que em um campo de batalha não existem regras.
Sei que na guerra o único instinto é sobreviver. Sou sobrevivente de tantas guerras. O sangue que já regou o front dessa trincheira. Sou a vida, sou a morte. Sou as derrotas, sou as vitórias. Sou só mais uma pessoa querendo viver.
O meu olhar se volta para o meu filho. O meu ser se enche de esperança, Da mais doce e profunda esperança, É com amor que se vence o ódio.
Os rumores desse fato Fica por conta dessa alma Que caminha acorrentada em sua própria alma No, entanto, busca por saber quem o acorrentou.
Cada um olhando percebe Percebe o que não quer perceber Que as suas correntes estão presas a você A corrente que te prende é você.
É certo que o certo nunca é certo E que a certeza dessa vida sempre nos acorrenta Na corrente de nossa própria ignorância Que ignora a sua própria corrente.
Arrasta por todos os lados essa corrente As correntes dos desesperados Que esperando já não aguenta mais O tornozelo doendo o dia inteiro.
Ei, olhe para sua mão Observe a chave dessa corrente Pare por um momento Reflita no tempo que é o seu tempo.
O tempo de usar ou não essa chave A chave dessa corrente que está presso a você Reflita no tempo do seu tempo O tempo de utilizar a sua chave.
A vida é dada por Deus Soprando pelas narinas do ser humano em barro O vento engata a nossa existência Essa nossa pobre existência.
Deus demonstrando sua eterna misericórdia Acha por bem nos jogar nesse mundo cão Sem o mínimo de noção Construímos o nosso caráter entre erros e acertos.
Entre guerra injustificadas Caminhamos em pleno emburrecimento Procurando sempre cultivar o nosso ressentimento Em cultos da nossa própria imagem divina.
O ser humano está perdido Fundido sua psique em si Cegos da realidade por sua imbecilidade Preferimos loucuras monstruosas do que um coração pacificado.
Um coração magoado bate em nosso peito Do barro nós viemos e na lama permanecemos Olhamos à nossa volta e nos vemos como somos violentos Somos os agentes do mal.
O nascer é vida que se renova, são reflexões que nos incomodam, é a natureza que vence a nossa vontade. Cada vida que existe nasce para si mesma.
Prometeu o amor. O amor não veio. Nascer é saber ser ferido em sua vulnerabilidade reprimida.
A vida é uma dádiva para quem vive nas mansões dos ricos, para quem é acudido ao menor dos gemidos. O nascer de um pobre é violento.
É dependente da esmola alheia, é grito de fome de milhões de desnutridos, é a incapacidade de olhar para o lado, é a morte que nos é apresentada desde o começo.
Ah, os loucos! Tidos como incapazes, observam o que a nossa mente sóbria não percebe. Sóbria? A verdade sempre dói.
Me diga a verdade. Somos incapazes por estarmos chapados de tanta sobriedade. Somos a história de nossas meias verdades. Ah, os loucos! A verdade sempre dói na carne.
Na verdade, não sabemos lidar com a nossa contrariedade, com a promiscuidade latente em nossa mente. Mentimos para nos escondermos da nossa realidade. Mentimos para nos protegermos da dor que dói o dia inteiro. Essa é a verdade que vai doendo até mais tarde.
Vem e veja essa dor. É a dor feita de verdades, verdades que tentamos esconder. Ah, os loucos! Não temem a verdade que dói o dia inteiro.