Tag: consciência social

  • O que importa?

    O que importa?


    A importância de se importar com o que é importante. E o que é importante? O mais importante é a vida?
    Se for a vida, estamos falando sobre a vida de quem?
    Qual classe social deve ter a vida preservada acima de tudo?

    É importante pensarmos sobre esse tema?
    É importante para quem?
    Quem deveria estar interessado nisso?
    O que se pode fazer para melhorar?
    O que realmente queremos para a nossa vida?

    Tudo gira, e meus pés estão flutuando. Me sinto extasiado.
    O que está acontecendo comigo?
    Anestesiado é como me sinto dentro desse mundinho. Tudo roda muito rápido.
    E, na roda da vida, vou tomando voltas.

    O que estou dizendo? Amônia: cheiro de vingança.
    Delírio, importante para não dizerem que tudo são flores.
    Tudo é o que é, o que era, o que será.
    O que me importa são as flores que choram embaixo dos escombros.

    É importante falar das flores?
    Flores cheirando a amônia?
    Flores cheirando a corrupção?

    O destino é o que importa.
    Destino de uma vida cheirando mal.
    O mal pelo qual não nos importamos por ser no cu dos outros. Outros que, no final das contas, somos nós.
    Nós não nos importamos com as rosas.
    São flores ou são rosas?
    O que importa saber?
    Saber sobre o quê?
    Sobre o que estamos falando?

    Carlos de Campos

    Foto por Vladyslav Huivyk em Pexels.com
  • Educar com a própria vida é um ato de amor

    Educar com a própria vida é um ato de amor

    O caos na sociedade é fundamental para fomentar o ódio e produzir instabilidade política e econômica. Normalmente, nessas situações, a população é usada como “massa de manobra”.

    O que ninguém diz é que existe uma pequena parcela privilegiada da sociedade que lucra com uma sociedade em constante convulsão.

    “Massa de manobra” é um termo que se usa para dizer, de maneira pejorativa, que alguns indivíduos que compõem a sociedade não são capazes de tomar suas próprias decisões e acabam sendo instrumentalizados por grupos políticos, ideológicos ou midiáticos.

    O que precisamos entender é que existe, dentro de uma sociedade, diferentes grupos. E que esses grupos são compostos por pessoas — pessoas que carregam dentro de si uma ideologia, uma paixão, um desejo; alguns nobres, outros um tanto obscuros.

    O que quero dizer aqui é que as pessoas são essencialmente feitas de escolhas. Escolhas que constantemente estão se confrontando. Em uma sociedade plural, em que se respeita a liberdade de se expressar, de ir e vir e de ser quem você deseja ser, isso é totalmente aceitável.

    O que falta à sociedade brasileira para que essas escolhas de ideias divergentes se mantenham no ambiente do respeito? Como indivíduos, o que podemos fazer em nossa realidade cotidiana para que essa mentalidade bélica, em um diálogo saudável, encontre pontos comuns?

    Não existe uma receita pronta. Não existem maneiras de conciliar tudo e todos ao mesmo tempo. Não existe uma sociedade que possibilite essa tal paz constante e permanente. Não somos santos nem demônios; somos apenas pessoas tentando um lugar ao sol.

    O que, então, é fundamental e eficaz para que, pelo menos, tenhamos uma sociedade com indivíduos emocionalmente maduros e que sejam capazes de debater ideias e se manter no campo das ideias e do respeito mútuo?

    Educar — mas não educar somente com informações e formações. Conteúdos que, muitas vezes, entram por um ouvido e saem pelo outro, que não encontram ressonância no coração das pessoas por não terem ressonância com a realidade.

    O que é essencial em toda educação de excelência é o educar a partir do próprio exemplo. As pessoas, de modo geral, têm dificuldade de se colocar como exemplo; não se sentem confortáveis com esse método por não acreditarem que sua vida pode acrescentar à vida do outro ou que a educação de qualidade está atrelada somente a comportamentos impecáveis.

    Educar com a própria vida é usar tudo o que você tem e é como matéria-prima. Educar com a mentalidade ecológica, sabendo que tudo em nossa vida está em um constante processo de reciclagem e que sempre estamos em movimento.

    Ninguém nunca estará pronto, acabado e perfeito para ser capaz de educar o outro. E, se formos esperar essa tal perfeição, nunca seremos, de fato, um verdadeiro agente de transformação social, por meio da educação — esteja onde você estiver. Educar o outro é também uma autoeducação.

    O que a sociedade precisa hoje é de pessoas que se sintam educadoras, que, com seu exemplo, iluminem os caminhos das massas para que essa massa rígida passe a ser leve e macia. Educar é acrescentar à sociedade o fermento da sobriedade, da leveza e da paz.

    No fundo, no fundo, todos nós buscamos a paz em nossos corações, em nossas vidas e em nossa sociedade; buscamos ser e experimentar a reconciliação conosco e com o outro. Que hoje, em sua vida, seja o tempo de reconciliação e pacificação.

    O mundo e nossa vida estão intrinsecamente conectados. O que o mundo sofre com ódio é porque ainda estamos armados de ódio. O mundo só reverbera aquilo que somos e quem somos.

    Janela aberta para novas perspectivas e de fôlego renovado para continuarmos o que sempre será necessário e fundamental: educar com a própria vida — em nossa casa e em nossos convívios sociais. Educar com a própria vida para que vidas sejam melhoradas e transformadas em sua essência.

    Carlos de Campos

    Foto por thevibrantmachine em Pexels.com