Tag: crise existencial

  • Sua desolação ofegante



    Sua desolação ofegante

    Os olhares do mundo estão atordoados,
    Perplexos pela ausência
    De qualquer resquício de esperança.
    Ausência silenciosa.

    Caem na face lágrimas
    De um dia triste,
    Sem qualquer atrativo,
    Só o estímulo do instante.

    São dias de muita tristeza,
    O ser já não aguenta mais existir.
    Existir se tornou enfadonho,
    Pandemia de uma mente doente.

    Não existe promessa.
    Não temos nada com o que festejar.
    Só a lamentação orienta.
    Existe quem não queira aceitar.

    Não existe um novo amanhã.
    Existe um novo tormento.
    Não existe um porto seguro.
    Deus sorri com ironia.

    Existo.
    No existir, adormeço.
    Na desolação, me esqueço.
    No esquecimento, eu existo.

    Carlos de Campos

    Foto por Ahmed akacha em Pexels.com
  • O silencioso medo da vida


    O silencioso medo da vida

    Fim de uma geração
    Entregue à loucura,
    No desespero desmedido.
    Fim de uma geração.

    Está pesado o clima,
    Intenso.
    Loucos pelas ruas,
    Exercendo a sua covardia.

    Pulsos rasgados,
    O coração sangra ódio.
    Peito aberto,
    Olhos cegos.

    Incêndio consumindo o corpo,
    Corpo jogado no lixo,
    Na existência de um circo
    Tímido e violento.

    Onde estamos indo?
    No lugar que cultua a morte,
    No deslumbre de uma fatalidade
    Quase pressentida.

    Violentos se levantam contra nações,
    Escondem-se nos escombros da morte.
    Sem olhar, assisto.
    Prevejo a cura do mal.

    Carlos de Campos
    Foto por Tara Winstead em Pexels.com
  • Na imensa travessia, me perco de você

    Na imensa travessia, me perco de você

    No inevitável, você surge.
    No silêncio, eu falo.
    Não faz sentido: no êxtase, nós nos desencontramos.
    Puro desequilíbrio.

    Desisto no alto-mar da vida,
    no mais profundo de minha alma,
    no milagre que nunca veio.
    Sou a mansão dos mortos-vivos.

    Perdido em pensamentos,
    me vejo suspenso,
    sem destino,
    eu — nessa inconformidade.

    O vento toca o meu rosto.
    Me entrego a essa paz,
    uma paz tão retraída,
    tímida de amor.

    Imensidão de um vazio sem fim,
    tormento de uma cabeça desintegrada.
    Sem conexão, seguem a alma e o corpo:
    fim de um ciclo virtuoso.

    O mundo muda e tudo absorve.
    O destino cria sentido,
    pálido e palpável.
    Urge uma longa transformação.

    Carlos de Campos
    Foto por 3D Render em Pexels.com
  • Mundos em conflitos se perderam no egoísmo

    Mundos em conflitos se perderam no egoísmo

    O meu mundo é o mesmo que o seu,
    são contraditórios e unificados,
    distante e mais distante ainda,
    porque é um mundo em busca de solidão.

    Em um mundo em que a distância é fascinante
    e, ao mesmo tempo, ultrajante,
    distante das pessoas,
    próximo da ausência plena.

    Nada é como antes,
    e antes é toda a base sólida,
    entre mundos tão iguais
    e completamente diferentes.

    Que caminha para o caminho do sofrimento
    pela busca incessante da angústia,
    consciente de que, em seu íntimo, é desejado;
    é o desejo dos desejos a ser conquistado.

    Impor é se destruir,
    é revidar contra si mesmo,
    é lutar com a imagem refletida pelo espelho,
    é ser, na essência, a essência contraditória.

    Lutar é assumir ser desonesto.
    O desonesto sofre na essência,
    vê sua saúde mental diminuindo,
    abreviando o fim do seu próprio mundo.

    Carlos de Campos
    Foto por Valdans Media em Pexels.com
  • Jogos da Negação

    Jogos da Negação

    A sua intimidade está exposta
    no vai e vem da vida,
    no ser contido em tua alma.
    Exposta está a tua alma.

    Delírios acidentais,
    ácidos estonteantes,
    regado a dopamina.
    Exposta está a alma.

    E que vida é essa que levamos,
    quando viver é o que não buscamos?
    É a vida passando diante dos olhos —
    overdose dos sentidos.

    Não existe outra chance:
    é a vida que vai passando,
    é o tempo encurtando.
    Exposta está a alma.

    Nossa consciência se esvai,
    se petrifica.
    Exposta está nossa alma:
    alma manipulada pelo jogo da vida.

    É o tempo terminando,
    é a vida definhando,
    problemas acumulando...
    e, sozinho, me encontro reclamando.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Silêncio do meio-dia

    Silêncio do meio-dia

    O que está se referindo o autor quando diz: “Está frio, mas é o silêncio que me incomoda”?

    O ser humano, muitas vezes, se vê jogado em crises existenciais — crises que, quando bem aproveitadas, nos levam a uma evolução mental completa.


    Gás lacrimogêneo
    No pensamento conturbado
    Estranha beleza me invade
    Infiltraram-se em minha mente.

    Destemido, segue vivendo
    Lutando em lutas que não acabam mais
    Quem nasce para viver assim?
    Meus pensamentos estão confusos.

    O dia está permeado de silêncio —
    Silêncio que rompe a confusão
    Observo, e tudo me parece normal
    Está frio, mas é o silêncio que me incomoda.

    É um silêncio perturbador,
    Excitante…
    Nos prende em expectativas
    É um incômodo cortante.

    Estranha sensação,
    Inquietante está esse dia
    O sonho se evadiu,
    Restou para nós a desilusão.

    Há uma sensação forte de tragédia no ar
    A noite engoliu o meio-dia
    Tudo é silêncio…
    É um silêncio que incomoda e constrange.

    Carlos de Campos
    Foto por Lucas Pezeta em Pexels.com
  • O medo da realidade obscura nos leva à fantasia

    O medo da realidade obscura nos leva à fantasia


    "Os desejos são assombros na mente."


    Sentir é uma magia
    Que toma conta de nossa mente
    E nos leva a um mundo de fantasia,
    Para muitos, uma realidade sem volta.


    Sei que nem todo mundo
    Entra nessa vida de fantasia por opção;
    Os desafios e as frustrações cotidianas muitas vezes os carregam,
    Nem sempre foi por livre opção.


    Um refúgio seguro é o que se busca
    Numa fuga desesperada,
    Dolorosa existência,
    Incinerando a mente de um mundo doente.


    A mente acelerada se desfaz;
    Uma a uma, as ideias já não fazem sentido,
    Tudo volta a ser primitivo;
    Esconder-se tornou-se um desejo avassalador.


    Mente em fuga,
    distópico,
    nuclear.


    Desejos
    irrealizáveis
    cobram —
    o seu preço.


    Distante,
    da realidade,
    vivo —
    no mundo da fantasia.

    Mente
    em colapso total,
    volta
    para o mundo primário —


    viver,
    inseguro,
    por falta
    de realidade.


    Realidade que
    se vive
    (com presença
    de espírito).

    Carlos de Campos

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    Foto por Burcu Bircan em Pexels.com