Sou só mais um infeliz
Os loucos dias que não voltam mais
Na curva dessa estrada
Sei o que passou e não voltará mais
Nunca mais retornará
Resta saber quando tudo isso aconteceu
O horizonte se desfaz diante de mim.
Carlos de Campos

Sou só mais um infeliz
Os loucos dias que não voltam mais
Na curva dessa estrada
Sei o que passou e não voltará mais
Nunca mais retornará
Resta saber quando tudo isso aconteceu
O horizonte se desfaz diante de mim.
Carlos de Campos

Eu vejo o passado me assombrando
Uma sombra recai sobre mim
Quem sou eu nessa batalha terrível?
Sou nada além de um abismo.
Carlos de Campos

Viajante do espaço
Ordem, grita a voz rouca.
Não és um animal incontrolável.
Na verdade, és a chama a me incinerar,
doente dos olhos.
Ordem é o meu nome.
Começo a não mais enxergar.
É a vista enfraquecida,
humor desproporcional.
Ordem e desordem me acompanham.
Cabeça baixa.
Insultos posso ouvir.
Mercadoria, tudo em ruína.
Desordem em meu ser,
na história que se revela,
que se abate sobre nós,
nessa triste escuridão.
Carlos de Campos

Já é tarde
Estou cansado e preciso dormir. Estou quase morto; a vida quase não resiste mais. É a vida que passa por entre as mãos. Os olhos cansados estão quase se fechando.
Corpo e mente estão desfalecendo, sucumbem pela força da natureza; estão sem forças para reagir, entregues, não se opõem, apenas confiam na sabedoria da natureza que simplesmente os carrega.
Esta é a nossa oportunidade para nos desapegarmos de nossas ilusões, dessas ilusões que tramam contra nós. Como não se opor a essas ilusões?
Tudo é mergulho profundo, é luta e entrega, é opressão que nos sufoca e que também nos faz ver sentido para resistir, para persistir, enquanto seguimos, seguir para um dia vencer.
De dentro de minhas próprias entranhas, eu me encontro; é como se eu tivesse retornado ao útero materno, estou sendo gestado. É a vida sendo concebida novamente.
Da morte à vida, libertação tardia; libertação tardia também é libertação plena. Não importa quando a libertação chegará, o que importa realmente é que, quando chegar, é preciso estar preparado.
Carlos de Campos

Norteando
O que esperar dessa vida?
Um pouquinho de esperança?
Ou uma solução mágica?
Carlos de Campos
Os sonhos escondidos
Foi no auge de minha lucidez,
onde os caminhos já não tinham mais volta,
os sonhos foram despedaçados.
A vida complicada ficou,
a ilusão finalmente chegou.
Carlos de Campos

Um instante passageiro
Me vejo absorto.
Nada parece estável.
Preciso de segurança.
O solo deixa buracos.
No percurso, destilamos ofensas.
Encaramos os nossos próprios medos,
sabendo que, lá no fundo, estamos apavorados.
Precisamos seguir sem demonstrar inquietação.
Lutar é o que dá sentido para a vida.
Internamente, somos tão humanos
que cada passo parece uma longa jornada.
Tentamos dar os passos mais seguros.
Há pior momento do que perder?
Tudo, absolutamente tudo,
no movimento seguinte,
deixamos algo pelo caminho.
Quem, olhando para a própria vida,
quis desaparecer?
Procurou sentido no próprio existir?
Na fadiga que nos envolve?
Não estou vendo uma saída,
se é que existe uma saída.
Um olhar mais detalhista,
um dia de sorte.
Olhei para além do que via
e vi que existia uma saída.
Uma nova chance eu encontrava,
além das minhas possibilidades.
Insisti em reconsiderar,
como se tudo estivesse acabado,
como se os meus desejos não contassem.
Respirei para reconsiderar.
Purifiquei as minhas ideias.
As distrações me perseguiam.
Desejo e sonho ao mesmo tempo.
O que farei agora?
O meu testemunho é verdadeiro.
Lutar para viver é necessário.
É a realidade indagando,
o mundo estreitando.
Um belo sonho estou sonhando,
um canto estou compondo.
Tudo é santo,
como eu sou pecador.
O sonho é verdadeiro
quando sonhar faz total sentido.
No meu viver, não fez.
Não estou sendo pessimista demais?
Meu Deus do céu,
o sol apagou.
Na escuridão da vida,
sigo a minha rotina.
Um breve silêncio ecoou.
Na chama fria da vida se fez,
se fez desejo, sonho e solidão,
se fez a mais pura contradição.
Instante ferido pela morte
não poupou nem a própria sorte.
Nas profundezas de um sortilégio,
sem nenhuma animação.
O que passou, passou.
Sou este instante,
essa lucidez calculada.
Eu sou o tempo perdido.
Leveza abstrata,
sonho fascinante,
um toque.
Tua é a nossa sorte.
Uma cadência pura de razão.
Vê quem está perto,
perto demais para entender
que o momento exige paciência.
Os seus olhos me seduzem,
me revelam detalhes,
detalhes que passam despercebidos
e que são essenciais nesse momento.
Peça batendo cabeça,
sorte contida,
impulsos desprovidos de certezas.
Desistir tornou-se uma opção.
A morte é a minha nova sorte,
é o destino insistindo,
é o preço a se pagar.
Respiro para voltar.
Oh, demasiadamente bizarro,
os desígnios se revelam,
as abstrações tomam formas.
O que vejo é imperdoável.
Resta saber: quem viu?
Quando, estando prestes a saber, soube
que esse seria o movimento certo,
quem não soube compreender?
Os desejos inflamados querem correr.
Cegaram os olhos que nunca viram
além do que lhes era permitido ver,
e, quando viram, já era tarde demais.
Resistir é necessário,
mas qual seria a melhor resposta?
Sem saída,
o fim se aproxima.
Apego-me às soluções improvisadas,
em espantalhos imaginários,
no destino traçado pela sorte
para quem ainda não viu.
O que são esses movimentos,
além de movimentos
de meras incertezas,
sem observações?
Um recuo se faz necessário,
um salto para o escuro.
Sem medo algum, eu sigo o meu destino,
incerto, mas ainda é o meu destino.
Move-se em pleno voo
um pensamento congruente,
um passado absoluto
contando um presente.
Nossa é a vida presente
dos momentos apaixonados.
Um dia é como vemos.
Voar é estar livre.
Carlos de Campos
Poema baseado “Na partida imortal de xadrez do dia 21 de junho de 1851 entre adolf andressen e lionel kieseritzky”

Caio na realidade
Meu ser está vagando.
Minha alma procura conforto,
procura a alegria.
Quando foi a última vez que tive alegria?
Tento dar sentido às coisas.
Carlos de Campos
17090304

Deito-me sobre a soleira da vida
Um dos sonhos mais terríveis
É saber que deseja saber.
Deixar que esse pensamento nos pegue
Pode nos destruir.
Saber quem somos
É um movimento antigo da alma humana.
É o grito silencioso da existência.
Podem nos destruir tais pensamentos.
Lá no interior de nossa alma
Existe uma essência
Que todos os dias vem à tona,
Chamando-nos para dançar.
Essência de uma vida destruída,
Machucada pela vida,
Que nem viver quer mais,
Uma vida perdida.
Quem somos nós?
A duplicidade em um?
Um ser afastado de sua essência?
Sou quem quero ser?
Um desvio na natureza humana?
O que sou, realmente?
Além de um corpo
Crivado de profundas contradições?
Carlos de Campos
